sábado, 22 de março de 2008
A Colombia
''Bogotá - Aos gritos de “Uribe fascista, você é terrorista” e “por que nos assassinam, se somos a esperança da América Latina” e sob um fortíssimo policiamento, milhares de pessoas paralisaram Bogotá durante toda a manhã e início da tarde de ontem em uma imensa passeata de protesto contra o desaparecimento de 15 mil pessoas, execuções extrajudiciais e deslocações forçadas causadas nos últimos anos por paramilitares.
“A Nicarágua, em solidariedade com o povo equatoriano e reivindicando a si mesmo (...) pelas reiteradas ameaças militares por parte do governo colombiano, anuncia e informa que rompe relações diplomáticas com a Colômbia”, disse o presidente, Daniel Ortega, em entrevista coletiva após se reunir com seu colega equatoriano, Rafael Correa. ''
Colômbia, a Israel da América Latina?
Já há certp tempo alguns analistas vêm alertando sobre a
Colômbia
estar se transformando na Israel da AL.
É verdade. O texto abaixo é extremamente esclarecedor.
Vejam estes trechos do texto:
"Os motivos alegados, combater o narcotráfico e a guerrilha,
não justificam tamanho aparato.
O eixo Bush-Uribe persegue objetivos maiores. Opera
no
contraponto do esforço de integração econômica e política
do nosso continente. Dividir para reinar. Ao mesmo tempo,
aponta suas armas para os processos sociais que buscam
alternativas ao tacão da globalização financeira."
"A Amazônia, como se sabe, é um antigo objeto da cobiça
internacional, uma fronteira imensa, sem marcos ou guarnições
protetoras. A agressão sofrida pelo Equador é um patamar
da escalada e desdobramento lógico de um monstrengo
que
atende pelo nome de Plano Colômbia."
Bush e Uribe reforçam plano de dividir e dominar América
Latina
Militarismo agenciado pelos EUA avança sobre troca humanitária
na Colômbia
Escrito por Pietro Alarcón
04-Mar-2008
Pietro Alarcón, advogado e professor da PUC-SP, é representante
no Brasil do Comitê Permanente da Colômbia pela Defesa
dos Direitos Humanos.
sexta-feira, 21 de março de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Parlamento de Israel aprova lei antinazismo
De acordo com a nova lei, pessoas envolvidas em "grupos que, de maneira organizada, pregam, incentivam ou incitam o racismo, inclusive os princípios nazistas", serão condenadas a um ano de prisão.
A lei é conseqüência da prisão, em setembro de 2007, de um grupo de jovens israelenses neonazistas. Os oito adolescentes foram acusados de agredir judeus ultra-ortodoxos, homossexuais e trabalhadores estrangeiros.
Na época, a investigação da polícia - iniciada depois que sinagogas foram pichadas com suásticas e dizeres como "morte aos judeus" - revelou que os jovens eram adeptos da ideologia nazista, o que chocou vários israelenses.
"Em Israel nunca houve uma lei contra o nazismo, porque ninguém nunca pensou, nem no mais terrível dos sonhos, que aqui pudesse existir esse tipo de fenômeno", disse o deputado Moshe Gafni, um dos autores da proposta de lei.
Anti-racismo
Segundo Gafni, do partido ultra-ortodoxo Yahadut Hatora, sua intenção original era criar uma lei específica contra organizações nazistas, porém na discussão da Comissão Legislativa do Parlamento a lei foi ampliada e passou a incluir todos os tipos de racismo.
Em Israel já existe uma lei contra propaganda e incitamento ao racismo, a nova lei acrescenta à proibição a formação de organizações racistas.
A lei anti-racista tambem deverá dificultar as atividades de grupos da extrema direita israelense, que pregam o racismo contra árabes.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Europa convive há décadas com nazistas

Indícios recentes dão conta de que o Grêmio poderia ser o primeiro clube brasileiro a ter uma facção de torcida nazista, a Camisa 88 - que faz menção às saudações a Adolph Hitler, ditador alemão na Segunda Guerra Mundial. O fato, no entanto, seria novidade apenas por aqui, já que na Europa há décadas o radicalismo dos torcedores tem levado terror aos estádios de futebol.
O caso mais conhecido é o da torcida da Lazio, que exibe nas arquibancadas bandeiras com símbolos nazistas e canta músicas anti-semitas durante as partidas da equipe. O líder fascista italiano Benito Mussolini era torcedor do clube e é idolatrados pelos fãs do time da capital italiana.
O atacante Di Canio teve três passagens pela Lazio - a última de 2004 a 2006 - e nunca escondeu suas tendências de extrema-direita. O italiano é apaixonado pelo clube romano e, quando jovem, era um ultra - termo utilizado para membros das torcidas fascistas do país.
Envolvido em diversas polêmicas, Di Canio chegou a ser suspenso e multado pela Federação Italiana por fazer saudações nazistas aos torcedores da Lazio durante as partidas. O atacante tem tatuada no braço a palavra "dux", que, em latim, se refere ao título de Duce do ditador Mussolini.
Outro jogador italiano que teria ligações fascistas é Buffon, da Juventus. Em 2000, quando atuava pelo Parma, o goleiro decidiu utilizar o número 88, mas, por pressões da comunidade judaica, foi obrigado a mudar.
Buffon negou que a escolha havia sido por razões políticas, mas, um ano antes, já havia dado indícios de que teria tendências de extrema-direita. Em 1999, o goleiro usou uma camisa que continha uma frase usada por Mussolini.
Os problemas envolvendo facções nazistas também atingem outros países da Europa. Na Holanda, o Ajax adotou a identidade judaica após Amsterdã ter recebido milhares de refugiados judeus nos anos 1940. Os torcedores do clube levam bandeiras gigantes de Israel para os estádios e cantam músicas de apoio.
O Ajax, no entanto, lida com o preconceito do Feyenoord, cuja torcida até hoje assobia durante as partidas, imitando as câmaras de gás da época do Holocausto, e utiliza insultos anti-semitas.
Na Alemanha, o governo definiu como crime o uso de saudações nazistas e teve muitos problemas durante a Copa do Mundo de 2006, que foi realizada no país. Torcedores britãnicos acabaram presos e deportados por terem sido flagrados fazendo gestos fascistas.
Esse monstro vai ser feio la no inferno maldito!
''dis'' q não é nazista , ainda diz q não é racista.
http://www.spiegel.de/img/0,1020,424466
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Autogestão
Autogestão:
é quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia direta. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os empregados participam das decisões administrativas em igualdade de condições. Em geral, os trabalhadores são os proprietários da empresa autogestionada. A autogestão não pode ser confundida com controle operário, que mantém a hierarquia e o controle externo do organismo (ou da fábrica) a algum organismo ou instância superior (como um partido político por exemplo). Os conceitos de autogestão costumam variar de acordo com a posição política ou social de determinado grupo. O conceito anarquista de autogestão se caracteriza por eliminar a hierarquia e os mecanismos capitalistas de organização envolvidos. Já os conceitos de autogestão empresarial, mantém os mecanismos tradicionais de organização capitalistas. Outra concepção de autogestão é aquela que a caracteriza como sendo as relações de produção da sociedade comunista, tal como o caso de Nildo Viana em seu artigo O Que é Autogestão? e João Bernardo em seu livro Para Uma Teoria do Modo de Produção Comunista.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A autogestão:
Erroneamente, muitas pessoas compreendem o anarquismo como uma forma totalmente desorganizada de ser e agir, ou como “bagunça generalizada”. Este pré-conceito estabelecido ao longo dos últimos 150 anos não compreende a extensão do modo anarquista de organização, que contrariamente ao conceituado usualmente, é um meio extremamente organizado de defesa de direitos. Neste sistema organizativo, tem-se a autogestão, uma tecnologia de trabalho, de organização de produção, resultado de esforços coletivos. O que não é autogestão:
Partindo da negação, ou seja, “o que não é autogestão”, será possível encontrar um conceito amplo e ao mesmo tempo aplicado ao caso em tela. Guillerm e Bourdet trazem 5 conceitos para determinar o tipo de relação que um grupo de operários possuem com as fábricas, participação, co-gestão, controle operário, cooperativa e autogestão. Segundo os autores franceses de maneira sucinta, participação seria o modelo onde o indivíduo ou grupo executa tarefas pré-determinadas, como por exemplo, o músico de uma orquestra, que executa a partitura sob a batuta do maestro. Ele executa exatamente os ditames que recebeu de acordo com sua função em harmonia com os demais músicos da orquestra. Por Co-Gestão, Guilllerm e Bourdet apontam ter seu nascimento na ausência de conflitos, neste caso, os operários de uma fábrica participam dos processos “meio”, ou seja, da melhoria e otimização da execução de um fim proposto pela fábrica. Trata-se de uma tentativa de integrar a criatividade e a iniciativa operária ao processo produtivo de ordem capitalista (aumento de produtividade e conseqüente extração de lucros). Há um enriquecimento das atividades propostas na medida em que os operários vão adquirindo um conhecimento maior para a escolha dos meios de atingir os objetivos propostos. Os operários recebem uma dose de auto-organização para a execução de suas tarefas e na determinação dos meios para o alcance de objetivos, porém sem a definição de metas - trabalhador participa apenas no processo de produção, nos meios, NÃO NOS FINS. Segundo os defensores deste modo de gestão, a integração parcial da iniciativa e criatividade operária no processo de produção é uma forma de não dar um simples papel instrumental dentro da empresa. Em realidade, a Co-gestão dá a possibilidade de intervenção operária, através de seus representantes dos conselhos administrativos, o que pode ser considerado um grande passo em direção a um processo autogestionário. Controle Operário segundo Guillerm e Bourdet têm nascedouro na existência de um conflito, onde os operários de uma fábrica ou empresa, realizam protestos contra suas condições de trabalho, melhorias salariais, etc. Um dos meios mais usados neste tipo trazido por Bourdet e Guillerm é a greve, onde os operários paralisam suas atividades de maneira total ou parcial para alcançar a execução de suas reivindicações. No que se refere ao conceito “cooperativa”, por questões meramente didáticas não serão colocadas como um tipo de gestão, uma vez que durante o presente trabalho este conceito será explorado na sua totalidade com a autonomia que o tema merece, não desmerecendo de maneira alguma os conceitos de Guillerm e Bourdet. Autogestão
Historicamente encontramos registros de autogestão em várias situações, inclusive bíblicas, quando mencionamos os Essênios, povo antigo que vivia em comunidade e usufruía os frutos de seu trabalho, decidindo os rumos do grupo. Autogestão é um termo relativamente novo, tendo sido incluído nos dicionários franceses na década de 60. Os tradutores de Soljenitsyn, por exemplo, empregam autogestão para caracterizar a organização do rodízio para “despejar o urinol”: “Na Prisão Política Central (...) “já ao se levantar, o guarda fez uma importante comunicação : designou entre os detidos de nossa cela os que terão a incumbência de despejar o urinol. (Nas prisões banais, comuns, os prisioneiros têm igualdade de liberdade de palavra e direito à autogestão, que lhes permite resolver por si mesmos este problema”. Soljenistyn, Arquipélago Gulag, Guillerm e Bourdet, p.9. Os tradutores do Arquipélago Gulag souberam traduzir de forma específica a autogestão, referindo-se em uma análise simples a um rodízio de urinol. Por outro lado ao se fazer a análise completa é possível observar o poder de decisão do grupo sobre algo que lhes diz respeito. Característica dos sistemas autogestionários coletivos. A decisão coletiva é possibilidade de um sistema democrático, onde o espaço permite este tipo de prática. Mas, voltando os dicionários franceses da década de 60, o termo autogestão, ou autogestion surge da tradução da palavra servo-croata samoupravlje, onde samo equivale ao prefixo grego “auto” e upravlje significa “gestão”. Foi introduzida na França para designar a experiência político-econômico-social da Iugoslávia de Tito em ruptura ao Stalinismo.
Não se pode aceitar como autogestão a experiência Iugoslava, até mesmo pelo controle e ingerência do Estado, o que subverte o sistema como um todo. Não o desmerece, apenas tira de sua caracterização o rótulo “Autogestão” podendo vir a ser reconhecido como sistema de Co-Gestão, pelo menos em uma análise primeira.
A possibilidade de tomar decisões, de se autogovernar é um grande passo na jornada para a Emancipação. A liberdade se conquista, e isto, os oriundos do sistema Prisional no país sabem muito melhor do que nós teóricos do assunto. “Entendemos por autogestión el movimiento social, econômico y político que tiene como método y objetivo que la empresa, la economia y la sociedad em general estan dirigidas por quienes producen y distribuien los bienes y servicios generados socialmente. La autogestion propugna la gestión directa y democrática de los trabajadores, en las funciones de planificacion, direccion y ejecución” (Iturruspe, 1988). A grande maioria das pessoas executa tarefas e não sabem o motivo pelo qual o fazem. Iturruspe nos traz um conceito importante sobre o que vem a ser Autogestão. “La gestión directa y democrática de los trabajadores, en las funciones de planificación, direccion y ejecución”. Não se pode afirmar mais que seria utopia acreditar que um grupo de trabalhadores pudesse ser dono de suas atividades, seus meios de produção e com isto produzisse riquezas. Ou como diz Iturruspe, participando das atividades de planificação, direção e execução referentes ao seu empreendimento. A experiência de Rochdale mostra que é uma possibilidade real. Nanci Valadares Carvalho, em seu livro Autogestão, o Nascimento das ONGs, conceitua autogestão da seguinte maneira: “Unidade de autogestão é aquela unidade para qual seus membros formam um grupo que se governa a si mesmo. No tipo autogestão de autogoverno todos os trabalhadores numa determinada firma se tornam seus administradores diretos.” A grande colaboração deste sistema trazido por Proudhon – sem jamais ter usado o termo – está na possibilidade de promover a liberdade coletiva dos envolvidos no sistema. Não se pode falar em autogestão de forma genérica, pois se trata de modo de gestão autônomo, como valores e meios específicos. A Autogestão é resultado de processos democráticos e decisórios. Possível, mediante liberdade, produzindo e promovendo liberdade. Passeando pela Internet é possível encontrar a seguinte definição no saite da Anteag – Associação Nacional dos Trabalhadores das Empresas Autogestionárias: “A autogestão é um modelo de organização em que o relacionamento e as atividades econômicas combinam propriedade e/ou controle efetivo dos meios de produção com participação democrática da gestão.
Autogestão também significa autonomia. Assim, as decisões e o controle pertencem aos próprios profissionais que integram diretamente a empresa. (www,anteag.org.br)”
A ANTEAG, não fornece uma inovação conceitual sobre o tema, por outro lado, fornece experiências autogestionárias, trazendo um novo paradigma das relações de trabalho, administração e gestão de empreendimentos.
Autogestão em Proudhon: Apesar do pensamento contrário de Guillerm e Bourdet, e Nanci Carvalho, Proudhon com justa razão, é considerado o “Pai da Autogestão”, inspirando experiências históricas de criação regimes autogestionários. Proudhon era antes de tudo, um crítico da burocracia e de todas as construções que visavam o seu estabelecimento institucional. O autor francês jamais empregou o termo “autogestão”, isto deve ficar claro, e talvez por este motivo alguns autores não lhe dêem o crédito sobre este instituto organizacional. Por outro lado, empregou seu conteúdo, não restringindo o sentido autogestionário de uma sociedade autônoma à simples administração de uma empresa pelo seu pessoal. Proudhon foi além, fornecendo a sua concepção, como um conjunto social de grupos autônomos, associados tanto nas suas funções econômicas de produção quanto nas suas funções políticas. Em uma organização autogestionária, as decisões fundamentais têm de ser tomadas pelo coletivo. Para isso é necessário que todos tenham acesso às informações, responsabilidade com o coletivo e disciplina. A Autogestão tem uma história, Carvalho, descrevem um pouco sobre isto. “A autogestão é impelida pelas condições materiais do nosso tempo e não como um amadurecimento de formas anteriores da mesma coisa. O homem que conduz a experiência de sua própria gestão é o homem contemporâneo e não o bárbaro ou selvagem que luta pela sobrevivência. A autogestão é um fenômeno pós-industrial baseado na associação de homens em suas vidas para uma participação maior e mais profunda. Expressa o impulso cultural das massas que querem o controle dos processos de mudança histórica, em vez de delegar este controle para os “poucos educados”. Desta maneira - e se nesse sentido realmente for bem sucedida - a autogestão pode tomar-se a gestão dos processos de mudança histórica”. (Carvalho, 1983: 34)
Anarquismo no Brasil
Anarquismo no Brasil
Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo, antes mesmo de ter sido criado o termo, tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, perto da cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure, inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em 1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado Palmital: a Colônia do Palmital.
Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de Santa Catarina, Antero Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do Governo Imperial do Brasil para seu projeto.
O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.
No início do século XX, o anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.
Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e., marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo os moldes do partido bolchevique russo.
Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria diminuir a influência das idéias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os sindicatos livres em sindicatos partidãrios e conquistar devotos às idéias leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a década de 1920.
Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil, separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.
Para Rômulo Angélico, foi durante o governo de Getúlio Vargas que o anarco-sindicalismo recebeu seu golpe de morte, devido ao surgimento dos sindicatos controlados pelo Estado e as novas perseguições estatáis. Até a primeira metade da década de 1930, no entanto, o anarquismo permaneceu a idelogia mais influente entre os operários brasileiros.
Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertários de outros países. na década de 1970 surge na Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos anarquistas, atráves das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social- CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas. O anarquismo, mesmo com a repressão, renasce, em meio aos estudantes, intelectuais e trabalhadores.
você pode ver na internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.
