segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Autogestão

Autogestão:

é quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia direta. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os empregados participam das decisões administrativas em igualdade de condições. Em geral, os trabalhadores são os proprietários da empresa autogestionada. A autogestão não pode ser confundida com controle operário, que mantém a hierarquia e o controle externo do organismo (ou da fábrica) a algum organismo ou instância superior (como um partido político por exemplo). Os conceitos de autogestão costumam variar de acordo com a posição política ou social de determinado grupo. O conceito anarquista de autogestão se caracteriza por eliminar a hierarquia e os mecanismos capitalistas de organização envolvidos. Já os conceitos de autogestão empresarial, mantém os mecanismos tradicionais de organização capitalistas. Outra concepção de autogestão é aquela que a caracteriza como sendo as relações de produção da sociedade comunista, tal como o caso de Nildo Viana em seu artigo O Que é Autogestão? e João Bernardo em seu livro Para Uma Teoria do Modo de Produção Comunista.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A autogestão:

Erroneamente, muitas pessoas compreendem o anarquismo como uma forma totalmente desorganizada de ser e agir, ou como “bagunça generalizada”. Este pré-conceito estabelecido ao longo dos últimos 150 anos não compreende a extensão do modo anarquista de organização, que contrariamente ao conceituado usualmente, é um meio extremamente organizado de defesa de direitos. Neste sistema organizativo, tem-se a autogestão, uma tecnologia de trabalho, de organização de produção, resultado de esforços coletivos. O que não é autogestão:

Partindo da negação, ou seja, “o que não é autogestão”, será possível encontrar um conceito amplo e ao mesmo tempo aplicado ao caso em tela. Guillerm e Bourdet trazem 5 conceitos para determinar o tipo de relação que um grupo de operários possuem com as fábricas, participação, co-gestão, controle operário, cooperativa e autogestão. Segundo os autores franceses de maneira sucinta, participação seria o modelo onde o indivíduo ou grupo executa tarefas pré-determinadas, como por exemplo, o músico de uma orquestra, que executa a partitura sob a batuta do maestro. Ele executa exatamente os ditames que recebeu de acordo com sua função em harmonia com os demais músicos da orquestra. Por Co-Gestão, Guilllerm e Bourdet apontam ter seu nascimento na ausência de conflitos, neste caso, os operários de uma fábrica participam dos processos “meio”, ou seja, da melhoria e otimização da execução de um fim proposto pela fábrica. Trata-se de uma tentativa de integrar a criatividade e a iniciativa operária ao processo produtivo de ordem capitalista (aumento de produtividade e conseqüente extração de lucros). Há um enriquecimento das atividades propostas na medida em que os operários vão adquirindo um conhecimento maior para a escolha dos meios de atingir os objetivos propostos. Os operários recebem uma dose de auto-organização para a execução de suas tarefas e na determinação dos meios para o alcance de objetivos, porém sem a definição de metas - trabalhador participa apenas no processo de produção, nos meios, NÃO NOS FINS. Segundo os defensores deste modo de gestão, a integração parcial da iniciativa e criatividade operária no processo de produção é uma forma de não dar um simples papel instrumental dentro da empresa. Em realidade, a Co-gestão dá a possibilidade de intervenção operária, através de seus representantes dos conselhos administrativos, o que pode ser considerado um grande passo em direção a um processo autogestionário. Controle Operário segundo Guillerm e Bourdet têm nascedouro na existência de um conflito, onde os operários de uma fábrica ou empresa, realizam protestos contra suas condições de trabalho, melhorias salariais, etc. Um dos meios mais usados neste tipo trazido por Bourdet e Guillerm é a greve, onde os operários paralisam suas atividades de maneira total ou parcial para alcançar a execução de suas reivindicações. No que se refere ao conceito “cooperativa”, por questões meramente didáticas não serão colocadas como um tipo de gestão, uma vez que durante o presente trabalho este conceito será explorado na sua totalidade com a autonomia que o tema merece, não desmerecendo de maneira alguma os conceitos de Guillerm e Bourdet. Autogestão

Historicamente encontramos registros de autogestão em várias situações, inclusive bíblicas, quando mencionamos os Essênios, povo antigo que vivia em comunidade e usufruía os frutos de seu trabalho, decidindo os rumos do grupo. Autogestão é um termo relativamente novo, tendo sido incluído nos dicionários franceses na década de 60. Os tradutores de Soljenitsyn, por exemplo, empregam autogestão para caracterizar a organização do rodízio para “despejar o urinol”: “Na Prisão Política Central (...) “já ao se levantar, o guarda fez uma importante comunicação : designou entre os detidos de nossa cela os que terão a incumbência de despejar o urinol. (Nas prisões banais, comuns, os prisioneiros têm igualdade de liberdade de palavra e direito à autogestão, que lhes permite resolver por si mesmos este problema”. Soljenistyn, Arquipélago Gulag, Guillerm e Bourdet, p.9. Os tradutores do Arquipélago Gulag souberam traduzir de forma específica a autogestão, referindo-se em uma análise simples a um rodízio de urinol. Por outro lado ao se fazer a análise completa é possível observar o poder de decisão do grupo sobre algo que lhes diz respeito. Característica dos sistemas autogestionários coletivos. A decisão coletiva é possibilidade de um sistema democrático, onde o espaço permite este tipo de prática. Mas, voltando os dicionários franceses da década de 60, o termo autogestão, ou autogestion surge da tradução da palavra servo-croata samoupravlje, onde samo equivale ao prefixo grego “auto” e upravlje significa “gestão”. Foi introduzida na França para designar a experiência político-econômico-social da Iugoslávia de Tito em ruptura ao Stalinismo.

Não se pode aceitar como autogestão a experiência Iugoslava, até mesmo pelo controle e ingerência do Estado, o que subverte o sistema como um todo. Não o desmerece, apenas tira de sua caracterização o rótulo “Autogestão” podendo vir a ser reconhecido como sistema de Co-Gestão, pelo menos em uma análise primeira.

A possibilidade de tomar decisões, de se autogovernar é um grande passo na jornada para a Emancipação. A liberdade se conquista, e isto, os oriundos do sistema Prisional no país sabem muito melhor do que nós teóricos do assunto. “Entendemos por autogestión el movimiento social, econômico y político que tiene como método y objetivo que la empresa, la economia y la sociedad em general estan dirigidas por quienes producen y distribuien los bienes y servicios generados socialmente. La autogestion propugna la gestión directa y democrática de los trabajadores, en las funciones de planificacion, direccion y ejecución” (Iturruspe, 1988). A grande maioria das pessoas executa tarefas e não sabem o motivo pelo qual o fazem. Iturruspe nos traz um conceito importante sobre o que vem a ser Autogestão. “La gestión directa y democrática de los trabajadores, en las funciones de planificación, direccion y ejecución”. Não se pode afirmar mais que seria utopia acreditar que um grupo de trabalhadores pudesse ser dono de suas atividades, seus meios de produção e com isto produzisse riquezas. Ou como diz Iturruspe, participando das atividades de planificação, direção e execução referentes ao seu empreendimento. A experiência de Rochdale mostra que é uma possibilidade real. Nanci Valadares Carvalho, em seu livro Autogestão, o Nascimento das ONGs, conceitua autogestão da seguinte maneira: “Unidade de autogestão é aquela unidade para qual seus membros formam um grupo que se governa a si mesmo. No tipo autogestão de autogoverno todos os trabalhadores numa determinada firma se tornam seus administradores diretos.” A grande colaboração deste sistema trazido por Proudhon – sem jamais ter usado o termo – está na possibilidade de promover a liberdade coletiva dos envolvidos no sistema. Não se pode falar em autogestão de forma genérica, pois se trata de modo de gestão autônomo, como valores e meios específicos. A Autogestão é resultado de processos democráticos e decisórios. Possível, mediante liberdade, produzindo e promovendo liberdade. Passeando pela Internet é possível encontrar a seguinte definição no saite da Anteag – Associação Nacional dos Trabalhadores das Empresas Autogestionárias: “A autogestão é um modelo de organização em que o relacionamento e as atividades econômicas combinam propriedade e/ou controle efetivo dos meios de produção com participação democrática da gestão.

 Autogestão também significa autonomia. Assim, as decisões e o controle pertencem aos próprios profissionais que integram diretamente a empresa. (www,anteag.org.br)”

A ANTEAG, não fornece uma inovação conceitual sobre o tema, por outro lado, fornece experiências autogestionárias, trazendo um novo paradigma das relações de trabalho, administração e gestão de empreendimentos.

Autogestão em Proudhon: Apesar do pensamento contrário de Guillerm e Bourdet, e Nanci Carvalho, Proudhon com justa razão, é considerado o “Pai da Autogestão”, inspirando experiências históricas de criação regimes autogestionários. Proudhon era antes de tudo, um crítico da burocracia e de todas as construções que visavam o seu estabelecimento institucional. O autor francês jamais empregou o termo “autogestão”, isto deve ficar claro, e talvez por este motivo alguns autores não lhe dêem o crédito sobre este instituto organizacional. Por outro lado, empregou seu conteúdo, não restringindo o sentido autogestionário de uma sociedade autônoma à simples administração de uma empresa pelo seu pessoal. Proudhon foi além, fornecendo a sua concepção, como um conjunto social de grupos autônomos, associados tanto nas suas funções econômicas de produção quanto nas suas funções políticas. Em uma organização autogestionária, as decisões fundamentais têm de ser tomadas pelo coletivo. Para isso é necessário que todos tenham acesso às informações, responsabilidade com o coletivo e disciplina. A Autogestão tem uma história, Carvalho, descrevem um pouco sobre isto. “A autogestão é impelida pelas condições materiais do nosso tempo e não como um amadurecimento de formas anteriores da mesma coisa. O homem que conduz a experiência de sua própria gestão é o homem contemporâneo e não o bárbaro ou selvagem que luta pela sobrevivência. A autogestão é um fenômeno pós-industrial baseado na associação de homens em suas vidas para uma participação maior e mais profunda. Expressa o impulso cultural das massas que querem o controle dos processos de mudança histórica, em vez de delegar este controle para os “poucos educados”. Desta maneira - e se nesse sentido realmente for bem sucedida - a autogestão pode tomar-se a gestão dos processos de mudança histórica”. (Carvalho, 1983: 34)

Anarquismo no Brasil

Anarquismo no Brasil

Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo, antes mesmo de ter sido criado o termo, tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, perto da cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure, inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em 1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado Palmital: a Colônia do Palmital.

Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de Santa Catarina, Antero Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do Governo Imperial do Brasil para seu projeto.

O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.

No início do século XX, o anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.

Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e., marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo os moldes do partido bolchevique russo.

Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria diminuir a influência das idéias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os sindicatos livres em sindicatos partidãrios e conquistar devotos às idéias leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a década de 1920.

Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil, separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.

Para Rômulo Angélico, foi durante o governo de Getúlio Vargas que o anarco-sindicalismo recebeu seu golpe de morte, devido ao surgimento dos sindicatos controlados pelo Estado e as novas perseguições estatáis. Até a primeira metade da década de 1930, no entanto, o anarquismo permaneceu a idelogia mais influente entre os operários brasileiros.

Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertários de outros países. na década de 1970 surge na Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos anarquistas, atráves das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social- CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas. O anarquismo, mesmo com a repressão, renasce, em meio aos estudantes, intelectuais e trabalhadores.

você pode ver na internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.

Principais conceitos anarquistas

Princípio da não-doutrinação

Proudhon e seus filhos, por Gustave Courbet, 1865
Proudhon e seus filhos, por Gustave Courbet, 1865

Este conceito anarquista, embora não constitua a didática primária à compreensão libertária, é digno de uma abordagem rápida.

Os anarquistas acreditam no desenvolvimento heterodoxo do pensamento e do ideário libertário como um todo, não idolatrando nem privilegiando qualquer escritor ou teórico desta vertente de estudos. George Woodcock descreve com aptidão esse posicionamento libertário:

“Toda a posição do anarquismo é completamente diferente de qualquer outro movimento socialista autoritário. Ela tolera variações e rejeita a idéia de gurus políticos ou religiosos. Não existe um profeta fundador a quem todos devam seguir. Os anarquistas respeitam seus mestres, mas não os reverenciam, e o que distingue qualquer boa compilação que pretenda representar o pensamento anarquista é a liberdade doutrinária com que os autores desenvolveram idéias próprias de forma original e desinibida.”[2]

Anarquismo não é doutrina, não é religião, portanto não reverencia nenhuma espécie de livros ou obras culturais, nem linhas metodológicas rígidas, o que o definiria infantilmente enquanto ciência constituída. As obras concernentes ao anarquismo são, no máximo, fontes de experiências delimitadas histórica e conjunturalmente, passíveis de infinitas adaptações e interpretações pessoais.

Em síntese, o anarquismo é convencionado entre os libertários como sendo a emergência de um sentimento puro, sob o qual cada adepto deve desenvolver dentro de si mesmo o seu próprio instrumental intelectual para legitimá-lo e, mais do que isso, potencializá-lo abstracional

Socialismo Libertário: a ótica anarquista

Os anarquistas auto-denominados socialistas libertários vêem qualquer governo como a manutenção do domínio de uma classe social sobre outra. Compartilham da crítica socialista ao sistema capitalista em que o Estado mantém a desigualdade social através da força, ao garantir a poucos a propriedade sobre os meios de produção, no entanto, estendem a crítica aos socialistas que advogam a permanência de um estado pós-revolucionário para garantia e organização da "nova sociedade". Tal estado, ainda que proletário, somente faria permanecer antigas estruturas de dominação de uma parcela da população sobre a outra, agora sob nova orientação ideológica.

Esta teoria clama por um sistema socialista em que a posse dos meios de produção sejam socializados e garantidos a todos os que trabalham. Num tal sistema, não haveria necessidade de autoridades e/ou governos uma vez que a administração da vida social, para a garantia plena da liberdade só poderia ser exercida por aqueles mesmos que a compõem e a tornam efetiva (seja na indústria, na agricultura, nas empresas, creches, escolas, etc.).

A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e dividindo-se livremente (ou seja, com entrada e saída livre) em cooperativas e estas, em federações.

A origem da tradição socialista libertária está entre os séculos XVIII e XIX. Talvez o primeiro anarquista (embora não tenha usado o termo em nenhum momento) tenha sido William Godwin, inglês, que escreveu vários panfletos defendendo uma educação sem participação do Estado, observando que esta tornava as pessoas menos propensas a ver a liberdade que lhes era retirada. O primeiro a se auto-intitular anarquista e a defender claramente uma visão mais socialista, foi Joseph Proudhon, seguido por Bakunin, que levou e elaborou as idéias daquele à primeira Associação Internacional de Trabalhadores (AIT). Mais tarde, Kropotkin desenvolve a vertente comunista do anarquismo, a qual chegou a ser muito popular na primeira metade do século XX.

A revolução social

A revolução social consiste na quebra drástica, rápida e efetiva do Estado e de todas as estruturas – levadas aqui enquanto entes materiais e não-materiais – que o regiam ou a ele sustentavam, por meio da ação revolucionária. Este princípio é primordial na diferenciação da vertente de pensamentos libertária em relação a qualquer outra corrente ideária. É a diferença básica entre o Socialismo Libertário e o Socialismo Autoritário.

Sob a ótica do Marxismo, por exemplo, seria necessária a instrumentalização do Estado para a conquista planejada, detalhada e gradativa da Revolução, sendo instituída a Ditadura do Proletariado para o controle operário dos meios de produção até a eclosão do Comunismo. Já, sob o ideário anarquista, a Revolução deve ser imediata, para não permitir que os elementos revolucionários possam ser corrompidos pela realidade estatal. De acordo com os libertários, a Ditadura do Proletariado nada mais é do que uma ditadura "de fato", exercendo a mesma coerção, a mesma opressão e a mesma violência contra a sociedade. Especialmente por isso, para eles, a Revolução Social deve ascender o mais rápido possível à Sociedade Anarquista, ao Comunismo puro, para, também, através dos princípios da Defesa da Revolução, não permitir a ressurreição do Estado.

Por fim, por intermédio do processo de destruição completa do Estado, sobre todas as suas formas, torna-se plenamente tangível a Liberdade, podendo, o homem, renovar de forma efetiva os seus princípios e preceitos humanistas.

Nos meios anarquistas, de forma geral, rejeita-se a hipótese de que o governo, ou o Estado, sejam necessários ou mesmo inevitáveis para a sociedade humana. Os grupos humanos seriam naturalmente capazes de se auto-organizarem de forma igualitária e não-hierárquica, mediante os progressos originários no homem a partir da educação libertária. A presença de hierarquias baseadas na força, ao invés de contribuírem para a organização social, antes a corrompem, por inibirem essa capacidade inata de auto-organização e por dar origem à desigualdade.

Desta forma, a partir da conscientização, aceitação e internalização da sua essência humana - idéia suprimida anteriormente pelo Estado -, por parte do homem, emerge-se naturalmente de toda a sociedade humana o anseio pela ascensão da idéia-base de qualquer forma de vida real: a Liberdade.

Liberdade

A Liberdade é a base inconteste de qualquer pensamento, formulação ou ação anarquista, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os anarquistas. Assim, entre os anarquistas, a Liberdade deixa apenas o plano abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prática, sendo o símbolo e a dinâmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o princípio básico para qualquer pensamento, ação ou sociedade ser definida como anarquista é que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente), quanto pragmaticamente (no âmbito das ações), no conceito de Liberdade.

Para a encarnação da Liberdade, no entanto, é necessária a erradicação completa de qualquer forma de autoridade.

Antiautoritarismo

O Antiautoritarismo consiste na repulsa e no combate total a qualquer tipo de hierarquia imposta ou a qualquer domínio de uma pessoa sobre a(s) outra(s), defendendo uma organização social baseada na igualdade e no valor supremo da liberdade. Tem como principais, mas não únicos, objetivos a supressão do Estado, da acumulação de riqueza própria do capitalismo (exceto os Anarco-capitalistas) e as hierarquias religiosas(exeto seguidores do Anarquismo cristão). O Anarquismo difere do Marxismo por rejeitar o uso instrumental do Estado para alcançar seus objetivos e por prever uma Revolução Social de caráter direto e incisivo, ao contrário da progressão sócio-política gradual - socialismo - rumo à derrubada do Estado - comunismo - proposta por Karl Marx.

De acordo com a corrente de pensamentos libertária, a supressão da autoridade é condicionada pela ação direta de cada indivíduo livre, prescindindo-se completamente de qualquer intermediário entre o seu objetivo, enquanto defensor da Liberdade, e a sua vontade.

Os anarquistas afirmam que não se deve delegar a solução de problemas a terceiros, mas antes, atuar diretamente contra o problema em questão, ou, de forma mais resumida, "A luta não se delega aos heróis". Sendo assim, rejeitam meios indiretos de resolução de problemas sociais, como a mediação por políticos e/ou pelo Estado, em favor de meios mais diretos como o mutirão, a assembléia (ação direta que não envolve conflito), a greve, o boicote, a desobediência civil (ação direta que envolve conflito), e em situações críticas a sabotagem e outros meios destrutivos (ação direta violenta).

No entanto, a Ação Direta, por si só, não garante a manutenção e a perpetuação das condições humanas básicas, tanto em termos estruturais, quanto no aspecto intelectual, necessitando de uma extensão operacional ilimitada a fim de fazer da força humana global uma só energia coletiva. Decerto, somente a solidariedade e o mutualismo máximos podem promover essa harmonia social.

Os anarquistas acreditam que todas as sociedades, quer sejam humanas ou animais, existem graças à vantagem que o princípio da solidariedade garante a cada indivíduo que as compõem. Este conceito foi exaustivamente exposto por Piotr Kropotkin, em sua famosa obra "O Apoio Mútuo". Da mesma forma, acreditam que a solidariedade é a principal defesa dos indivíduos contra o poder coercitivo do Estado e do Capital.

Mas, para que a solidariedade se torne uma virtude "de fato" é necessária a erradicação de qualquer fator de segregação ou discriminação humanas. Com esse objetivo, o internacionalismo se firma enquanto o princípio proeminente da integração sociolibertária.

Internacionalismo

Para os anarquistas, todo tipo de divisão da sociedade - em todos os apectos - que não possua uma funcionalidade plena no campo humano deve ser completamente descartada, seja pelos antagonismos infundados que ela gera, seja pela burocracia contraproducente que ela encarna na organização social, esterilizando-a. Logo, a idéia de "pátria" é negada pelos anarquistas.

Os libertários acreditam que as virtudes - bem como o exercer pleno delas - não devem possuir "fronteiras". Assim, eles relutam que o homem, em sua natureza humana, é o mesmo em qualquer lugar do mundo, exigindo, independentemente do seu universo material ou cultural, uma gama infinita de necessidades e cuidados. Em outras palavras: se a fragilidade do ser humano não tem fronteiras, por que estabelecer empecilhos ao seu auxílio?

Vale lembrar que o conceito libertário de internacionalismo se difere completamente do conceito que conhecemos - portanto, capitalista - de globalização. Globalização é a ampliação a nível mundial da difusão de produtos - ideológicos, culturais e materiais - de determinados segmentos capitalistas, visando à potencialização máxima da capacidade mercadológica dos agentes operantes - na maioria das vezes, as empresas e as grandes corporações -, sendo, para isso, desconsideradas parcial ou completamente todas as conseqüências humanas do processo, já que é a doutrina do "lucro máximo" que rege essas operações. Por outro lado, o internacionalismo, por se alijar completamente de todo o ideário capitalista, não possui nenhuma tenção lucrativa, capitalista, e não é permeado por estruturas privilegiadas de produção - como as indústrias capitalistas -, sendo regido pela solidariedade e mutualismo máximos.

Didaticamente, o internacionalismo pode ser definido como sendo a difusão global de "serviços" humanos, e a globalização como a difusão global de "hegemonias" mercadológicas.

A educação avançada: a base da coexistência harmoniosa

A questão persecutória por excelência entre os anarquistas no decorrer da história é: como seria possível uma Sociedade Anarquista se cada ser humano pensa de uma forma diferente[carece de fontes?]? Não seria permeada por inúmeros conflitos, guerras, antagonismos?

A resposta a essa questão, defendida pela maior parte dos anarquistas[carece de fontes?], é a de que apenas o desenvolvimento virtuoso da educação (Pedagogia Libertária) – permeada pela autodidática, interesse natural, relativismo cultural e antidogmatismo – proveria o homem do desenvolvimento humano efetivo. Assim, embora os conflitos façam parte da Sociedade Anarquista – e a desenvolvam estruturalmente por essa relação dialética –, eles seriam transferidos do plano físico – como é o caso das guerras atuais – para o plano do diálogo – como prima a Democracia Direta –, sendo negociados de forma pacífica, consciente, racional e, acima de tudo, humana, já que o interesse, o calculismo, não estaria mais regendo as instâncias conflitivas. Em outras palavras, independentemente do resultado do embate, ninguém sairia em posição privilegiada[carece de fontes?].

Evidentemente, no caso de uma sociedade anarquista, também pode haver indivíduos que perturbem a harmonia social. Como a violência é uma forma pura de autoridade, de poder, o indivíduo que encarná-la em qualquer uma de suas ações, por qualquer que seja o motivo, não será considerado anarquista[carece de fontes?]. Como a Sociedade Anarquista é uma sociedade de anarquistas e para anarquistas, os dissidentes seriam obrigados a garantir a sua subsistência onde a autoridade e a mesquinhez deles tivesse alguma funcionalidade[carece de fontes?].

Piotr Alexeevich kropotkin (1842 – 1921) defende que a Liberdade, em seu estado puro, em conjunto com a fraternidade, serviria como um verdadeiro "remédio" ao homem, sanando os seus problemas mais nefastos, conseqüentemente, prescindindo-se de qualquer espécie de punição ou coerção. Esta idéia se aplica, num espectro mais amplo, até às questões relacionadas à existência de estruturas manicomiais, responsáveis, na sociedade capitalista, pelas torturas e maus-tratos aos estigmatizados pelo sistema como "doentes mentais".

Princípio da flexibilidade e naturalidade organizacionais

Os anarquistas, por intermédio da aceitação e compreensão da progressão materialmente dialética da história, em sua maioria, não acreditam que o estabelecimento de estruturas organizacionais rígidas possam promover um desenvolvimento humano efetivo. Assim, acreditam que a inflexibilidade organizacional - típica do sistema capitalista - termina por interferir deleteriamente, quando não suprimir, as faculdades individuais de cada ser humano. Por isso, os anarquistas acreditam que são as dificuldades e problemáticas humanas, materiais e sociais que devem prescrever o modelo temporário de organização, e não as inferências provenientes de abstrações técnicas. Em outras palavras, é a realidade concreta que deve definir as bases da organização da sociedade anarquista, em contrapartida com as situações imaginárias criadas pelos "técnicos", as quais, na maioria das vezes, tendem a ser manipuladas a favor de interesses parciais.

Com o objetivo de se potencializar de forma plena a coesão estrutural - material - necessária à Sociedade Anarquista, a fim de se promover a satisfação das necessidades humanitárias, houve a emergência do conceito de Federalismo Libertário.

Sendo uma ampliação funcional do princípio da “Ação Direta”, o federalismo libertário é o meio de organização proposto pela maior parte das vertentes anárquicas[carece de fontes?], desenvolvido, no âmbito anarquista, pela primeira pessoa a se intitular “anarquista”: Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865). Esse conceito consiste na subdivisão organizacional temporária ou permanente da sociedade libertária – em federações, comunas, confederações, associações, cooperativas, grupos e qualquer outra forma de conjugação da força operacional humana – para a maior eficiência das interações humanas, sociais. Por intermédio do federalismo, de cunho libertário, seria possível uma intervenção rápida e direta do homem frente às problemáticas emergentes na sociedade anarquista. Nesse aspecto, Piotr Alexeevich Kropotkin (18421921) aludia didaticamente às federações como sendo "botes salva-vidas": ágeis no auxílio e versáteis frente às condições ou necessidades adversas[carece de fontes?].

Evidencia-se que o conceito de federalismo, no campo libertário, transcende o conceito atual de federalismo que conhecemos, deixando de representar apenas as associações de grande escala para adentrar no âmbito pessoal, abrangendo, inclusive, as relações interpessoais. Desta forma, o federalismo libertário se firma enquanto a máxima coesão entre o homem e a satisfação proficiente de suas necessidades[carece de fontes?].

O federalismo libertário se difere do federalismo estatal - como o que vigora no Brasil - por não ser concebido em meio a nenhuma relação de submissão e por ser regido, em sua completude, pelas necessidades humanas. Seriam sempre as problemáticas que definiriam e prescreveriam a organização, e não os interesses, sejam eles coletivos ou pessoais.

Com efeito, vários anarquistas já propuseram modelos mais elaborados de organização, de plataformas organizacionais, mas, como é a conjuntura e a naturalidade que devem definir a organização numa sociedade anarquista, elas são consideradas inferências, projetos divergentes, porém, todos unificados pelo conceito uno do federalismo libertário. Em outras palavras, o federalismo libertário é tido enquanto o germe de qualquer organização anarquista.

A instrumentalização da violência

Poucos anarquistas defendem a violência contra indivíduos. Durante o fim do século XIX e início do século XX, o anarquismo era conhecido como uma ideologia que pregava os assassinatos e explosões, devido a ação de pessoas como o russo Nechaiev, o francês Ravachol e à influência dos meios de comunicação social da época. A maioria dos anarquistas acredita que a violência contra indivíduos é inútil, já que mantém intactas as relações sociais de exploração e as instituições que a mantêm. Entretanto, os anarquistas acreditam que o recurso à violência é inevitável como legítima defesa à violência do Estado ou de instituições coercivas. Anarquistas como Errico Malatesta e Emma Goldman publicaram célebres debates condenando o individualismo-terrorista de alguns anarquistas. Ambos autores consideraram a ação desses indivíduos inútil e mesmo daninha à causa anarquista, e que seus atos eram reações de desespero em face às injustiças sociais.

Entretanto, é inegável que foram praticados assassinatos políticos inspirados por anarquistas. Por exemplo, Leon F. Czolgosz confessou ter decidido assassinar o presidente William McKinley após assistir a uma palestra proferida por Emma Goldman. Estadistas como Humberto I da Itália, Elisabeth da Áustria e Marie François Sadi Carnot, presidente da França, foram assassinados por anarquistas italianos. Tudo isto aconteceu durante os últimos anos do século XIX e a primeira década do século XX. Outros atentados, como contra Alexandre III da Rússia e Carlos I de Portugal, foram erroneamente atribuídos a anarquistas, por generalização.

Existiram, no entanto, outros anarquistas, como Leon Tolstoi, que acreditavam que o caminho da anarquia era a não-violência.

Anomia

A idéia popular de anarquismo como absoluto caos e desordem, que os estudiosos chamam de anomia (ausência de normas) é rejeitada por todos os anarquistas tradicionais citados acima. Os anarquistas concebem os governos como as atuais fontes de desordens defendendo, portanto, que a sociedade estaria melhor ordenada sem a sua existência.

Esta convenção tem fortes conotações e historicamente tem sido usada como uma deficiência por grupos políticos contra seus oponentes, mais notavelmente os monarquistas contra os republicanos nos últimos séculos. Entretanto, a anomia tem sido abraçada por movimentos de contracultura.

Religião e espiritualidade

Leon Tolstói, expoente do Anarquismo cristão (1828-1910)
Leon Tolstói, expoente do Anarquismo cristão (1828-1910)

O movimento anarquista não advoga em favor do ateísmo ou agnosticismo, mas em muitas ocasiões sua luta anti-autoritária se estendeu ao anti-clericalismo. O problema, por tanto, está na consolidação em forma institucional da fé religiosa, tornando-se um instrumento de exploração dos homens.

Desta forma, o que os anarquistas negam é a “instituição Igreja”, em todas as suas formas, e não a igreja enquanto templo de fé, pelos seguintes fatores:

– A sua conivência, conciliação e apoio à dominação capitalista – em especial, pela defesa da propriedade privada;

– Pela sua estrutura completamente vertical, a qual segrega o corpo religioso e toda a humanidade de forma a selecionar os beneficiados e os dignos dos poderes espirituais;

– Pelas intervenções em campos não espirituais, criando, por meio da doutrina fundamentalista, uma série de empecilhos ao desenvolvimento social e humano como um todo;

– Pelo processo de alienação do ser humano em relação à sua realidade, fazendo o indivíduo, muitas vezes, delegar a entes imaginários, espirituais, as transformações humanas que, na verdade, cabem a ele mesmo ajudar a promover;

Por fim, os anarquistas acreditam que o que cada um pensa ou crê, não importa ao próximo, desde que a Liberdade e todos os demais princípios anarquistas não sejam ofuscados de forma alguma.

Tecnologia

A tecnologia, em sua pureza, não é tratada como um mal em potencial pelos libertários - com exceção da corrente anarco-primitivista. Ela é ferrenhamente combatida em seus moldes capitalistas, já que, sob eles, não possui nenhuma, ou quase nenhuma, função humana ou social e, ademais, na maioria das vezes, chega a corromper drasticamente esses campos – como é o caso das guerras, da excessiva automação industrial, das políticas tecnocráticas, etc.

Em suma, a tecnologia é tida enquanto mais um instrumento de potencialidades humanas, podendo ter uma expressiva funcionalidade libertária – como nos campos da medicina, das comunicações, dos transportes, da segurança e desenvolvimento produtivo do trabalho, etc.

Porém, a corrente de pensamentos anarco-primitivista defende a aversão a qualquer forma de desenvolvimento tecnológico, advogando o retorno das condições pré-civilizatórias para um efetivo desenvolvimento humano.


Anarcopunk

Anarcopunk é uma facção do movimento punk que consiste de bandas, grupos e indivíduos que promovem políticas anarquistas.

Apesar de nem todos os punks apoiarem o anarquismo, a ideologia tem um papel importante na cultura punk, e o punk teve uma influência significativa no anarquismo contemporário. O termo "anarcopunk" é algumas vezes aplicado exclusivamente a bandas que fizeram parte do movimento anarcopunk original no Reino Unido na década de 1970 e 1980, como Crass, Conflict, Flux of Pink Indians, Subhumans, Poison Girls e Oi Polloi. Alguns utilizam o termo mais amplamente para se referir a qualquer música punk com conteúdo anarquista em sua letra. Essa definição mais ampla inclui bandas crustcore e bandas d-beat como Discharge, e podem incluir bandas de punk hardcore dos Estados Unidos, como MDC, artistas de folk punk como This Bike Is a Pipe Bomb ou artistas em outros subgêneros.

Um crescimento no interesse popular ao anarquismo ocorreu durante os anos 1970 no Reino Unido após o nascimento do punk rock, em particular os gráficos influenciados pelo situacionismo do artista Jamie Reid, que desenhava para os Sex Pistols e o primeiro single da banda, "Anarchy in the UK". No entanto, enquanto que a cena punk inicial adotava imagens anarquistas principalmente por seu valor de choque, a banda Crass pode ter sido a primeira banda punk a expor idéias anarquistas e pacifistas sérias. O conceito do anarcopunk foi pego por bandas como Flux of Pink Indians e Conflict. O cofundador do Crass, Penny Rimbaud, disse que sente que os anarcopunks eram representantes do punk verdadeiro, enquanto que bandas como os Sex Pistols, The Clash e The Damned eram nada mais do que "fantoches da indústria musical".

Enquanto passavam os anos 1980, dois novos subgêneros da música punk evoluíram do anarcopunk: crustcore e d-beat. O crustcore, e seus pioneiros foram as bandas Antisect, Sacrilege e Amebix. O d-beat eram uma forma de música punk mais bruta e rápida, e foi criada por bandas como Discharge e The Varukers. Um pouco depois, na mesma década, o grindcore desenvolveu-se do anarcopunk. Parecido com o crustpunk, porém ainda mais extremo musicalmente (utilizava blast beats e vocais incompreensíveis), seus pioneiros foram Napalm Death e Extreme Noise Terror. Paralelamente ao desenvolvimento desses subgêneros, muitas bandas da cena punk hardcore dos Estados Unidos estavam adotando ideologia anarcopunk, incluindo MDC e Reagan Youth.

[editar] Desenvolvimentos posteriores

O anarcopunk dos anos 2000 é mais diverso musicalmente do que nos anos 1970 e 1980. Além dos subgêneros previamente estabelecidos, o anarcopunk agora também abrange artistas de punk blues como Darren Deicide, artistas pop punk como Girlband e Propagandhi, artistas new wave como Honey Bane e bandas folk punk como The Weakerthans e Against Me!. Algumas bandas anarcopunk também incorporam o indie rock ou indie pop, como Nation of Ulysses (que mais tarde tornou-se uma banda emo). Mais recentemente, bandas como Axiom, Destroy e Disrupt fundiram o som grindcore com o crustcore.

O digital hardcore também toma uma posição anarquista freqüentemente em suas letras, como exemplificado pelos pioneiros do gênero, o Atari Teenage Riot. O digital hardcore mistura vocais punk (e algumas vezes, rap) com elementos de muitos gêneros diferentes, principalmente hardcore techno, thrash metal, noisecore e fundos musicais distorcidos.

O Chumbawamba incorporou elementos do pop, dance e world music e teve canções bem sucedidas nos anos 1990. Apesar do precedente ter sido o Rudimentary Peni, que mais tarde tornou-se uma banda death rock.

O anarcopunk se parece muito com o anarquismo sem adjetivos, no sentido de envolver a cooperação de várias formas diferentes de anarquismo. Alguns anarcopunks são anarco-feministas (como Polemic Attack), enquanto outros eram anarco-sindicalistas (Exit-Stance). O The Psalters, por exemplo, é uma banda anarcopunk afiliada ao anarquismo cristão.

A anarquia pós-esquerdista é comum no anarcopunk moderno. CrimethInc., um dos maiores proponentes do pós-esquerdismo, possui fortes ligações com o movimento. A Class War é uma federação pós-esquedista britânica que também é muito ligada ao anarcopunk, e apoiada por bandas como Conflict. Muitos anarcopunks apóiam questões como direitos dos animais, igualdade racial, feminismo, ecologismo, anti-heterossexismo, autonomia trabalhista, movimento pacifista e o movimento antiglobalização. O pacifismo não é apoiado por todos anarcopunks.

Os punks, de modo geral, aproximam-se do anarquismo devido ao seu modo de ser, de negar e combater o autoritarismo, as fronteiras e os preconceitos impostos, porém, os anarcopunks assumem a política anarquista e seus modos de ação e organização, assim como seus princípios. Seus mais fortes modos de expressão cultural são a música, ou anti-música, a poesia e o visual "pesado" e agressivo, que procura refletir "todo o peso e imundície da sociedade em que vivemos".

[editar] A ética punk do "faça você mesmo"

Muitas bandas anarcopunk enfatizam uma ética "faça você mesmo" (do it yourself ou DIY em inglês). Um slogan popular do movimento é "DIY not EMI", que em inglês representa uma rejeição a uma grande gravadora (a EMI, no caso). Muitas bandas anarcopunk eram divulgadas na série de LPs Bullshit Detector, lançada pela Crass Records e Resistence Productions entre 1980 e 1994.

Alguns artistas anarcopunk faziam parte da cultura do cassete. Desta maneira, a rota tradicional gravação-distribuição era ignorada, já que as gravações eram feitas para quem enviasse uma fita em branco e um envelope endereçado a si mesmo. O movimento anarcopunk tinha sua própria rede de fanzines punk que disseminavam notícias, idéias e arte da cena. Todas essas fanzines eram DIY, produzindo, no máximo, centenas de unidades, apesar de haver exceções como a Toxic Grafity (sic). As zines eram impressas em fotocopiadoras ou máquinas duplicadoras, e distribuidas à mão em shows punk e por correio.

Os anarcopunks acreditam universalmente na ação direta, apesar da maneira com que isso se manifesta varia muito. Mesmo com suas diferentes abordagens, geralmente há cooperação dentro do movimento.

Muitos anarcopunks são pacifistas (como Crass e Discharge) e acreditam na utilização de meios não-violentos para alcançar seus objetivos, que incluem protesto pacífico, recusa a trabalhar, sabotagem econômica, ocupação, revirar lixo, pichação, realizar boicotes, desobediência civil, "hacktivismo" e alterar material publicitário contra o anunciante. Outros anarcopunks acreditam que a violência é um modo aceitável de alcançar a mudança social (como Conflict e D.O.A.). Isso se manifesta por tumultos, vandalismo, corte de fios, assaltos, participação em atividades "estilo Frente pela Liberação dos Animais", e, em casos extremos, usar bombas.

Alguns anarcopunks, principalmente na América do Norte, buscaram utilizar o processo democrático para trazer suas regiões mais próximas à anarquia, apesar de nenhum ter concorrido como membro de um partido anarquista. Entre os que tentaram, estão o líder dos Dead Kennedys, Jello Biafra, para prefeito de São Francisco, o cantor do T.S.O.L., Jack Grisham, a governador da Califórnia e o cantor principal do D.O.A., Joey Shithead. Alguns desses, como Biafra, acreditam que a mudança social maior é necessária antes de os humanos estarem prontos para a anarquia.

Política de identificação

O anarcopunk foi destacado como um dos fenônemos sociais que levou o anarquismo na direção da política de identidade. Alguns alegam que o visual tornou-se um ingrediente essencial do movimento, algumas vezes obscurecendo outros fatores, apesar de outros alegarem que os artistas que se alinharam com o anarcopunk envolveram-se em diversas abordagens no formato e na ideologia, exemplificado pela variedade de bandas do movimento. Do mesmo modo, freqüentemente é dito que o visual era simplesmente uma representação da ética associada ao anarquismo (crença anti-corporação e DIY).


O movimento anarcopunk propõe um movimento punk mais consciente, atacando as estruturas sociais de diversas formas, além de musicalmente, através de zines, jornais, ongs, coletivos, e outras maneiras buscando uma sociedade mais fraterna e igualitária.

Nos anos 70 muito se usou a palavra anarquia sem saber o seu significado, mas os anarcopunks foram buscar o verdadeiro sentido da palavra , usada antes de uma forma adulterada pelos meios de comunicação burgueses, que a apresentavam no sentido de caos, mas que agora os anarcopunks traziam a sua verdadeira tradução como esperança de uma vida melhor, mais bela e profunda, mostrando que o caos se encontra nos sistemas autoritários como no fascismo, comunismo e capitalismo.

Uma das bandas mais representativas do movimento anarcopunk foi o CRASS, banda inglesa que aderiu completamente ao lema "faça você mesmo". O CRASS iniciou em 77, pelo descontentamento dos rumos que o punk estava tomando. A banda defendia a liberação animal, sendo os integrantes vegans, defendendo os animais muito antes do primeiro sxe falar sobre isso, pois nos anos 70 eles já haviam defendido esses ideais quando viviam em um sítio. Neste sítio ninguém era dono de nada a não ser de suas próprias roupas. Atacavam as estruturas da sociedade inglesa como a família, igreja, governo, militarismo, escandalizando a imprensa e a sociedade.

Foram proibidos nas rádios, então organizaram um recital em um teatro abandonado, onde depois de fracassarem as primeiras tentativas de ocupação, ocuparam e foram expulsos pela polícia. Ocuparam então um clube privado, depois que mais de 400 pessoas se juntaram e a polícia não pode conter.

Cobriram as paredes de frases pacifistas e anarkistas. No local tocaram mais de 12 bandas onde ninguém vigiava o que o outro fazia, cada um se preocupava consigo mesmo.

Para evitar boicotes da mídia o CRASS criou a própria gravadora, CRASS RECORDS, apoiando outros grupos. Vendiam seus discos pela metade do preço. Também publicaram um livro dizendo: "nós tentamos firmar nossa liberdade com humor e encontramos violência e ódio. Tentamos firmar nossa liberdade e nos demos conta que o Estado e os que trabalham nele e os que vivem abaixo de sua autoridade são inimigos de nossa liberdade e entendemos que havia que encontrar outros meios que não foram palavras!".

O CRASS se separou em 85, pois não podiam tocar em nenhum lugar que não fosse Londres pois teriam que aumentar o valor dos shows para pagar os custos ou fazer transações que não queriam, fechando assim o espaço. Mas fizeram muitas coisas, fizeram com que A GENTE SE LEVANTASSE POR TODO. Foi a primeira banda a defender os animais; ativistas reais, sua casa estava permanentemente vigiada..

Algumas pessoas insistem na crítica fácil de que o punk acabou, mas não é o que vemos pelas ruas das grandes cidades. O movimento continua vivo, trazendo a esperança na rebeldia, incentivando as pessoas que estão descontentes a serem donos de sua própria vida e mente, mostrando que elas são capazes de agir contra aquilo que às atormenta. Os motivos da contestação da sociedade atual são diversos, desde as agressões à natureza ao desenvolvimento de ogivas nucleares. O capitalismo, machismo, alienação, a igreja, o estado, a estereotipização são assuntos abordados pelos anarcopunks, combatendo a opressão no seu dia-a-dia. O punk através de seu estilo de vida mostra a falsa ordem do sistema capitalista podre.

Se você acha que punk é apenas visual, você não é punk, mas sim um palhaço!


O anarcopunk portanto não é fase adolescente, ganguismo, nem delinqüência juvenil, mas sim ideal.

O STRAIGHT EDGE

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O STRAIGHT EDGE

A grande maioria das páginas na internet, especialmente em português, são extremamente mal-informadas e imprecisas quando resolvem explicar o Straight Edge. Com esta pequena parte do meu humilde site, pretendo esclarecer quaisquer dúvidas, e apresentar um pequeno histórico desta tão controvertida, e tão pouco compreendida idéia. Em vez de elaborar um texto explicativo enorme e chato, eu resolvi fazer um "faq" ("frequently asked questions") que elucide dúvidas e questões que as pessoas possam ter sobre o assunto. Procurei responder as perguntas através de fatos históricos, sempre que possível. Em outros casos, dei minha opinião pessoal. Para entender melhor estas respostas, é preciso ter um pequeno conhecimento sobre punk e hardcore, o que acho que todos que estão lendo isso têm. Espero que seja útil. Em breve: mais perguntas e respostas, discos essenciais, fotos, etc...
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Que diabos é o Straight Edge?:
Como qualquer idéia, o Straight Edge tem tantas definições quanto adeptos. Cada pessoa adapta esta idéia às suas próprias experiências, condições de vida, posições ideológicas, etc... Mas também não é uma "festa da uva", na qual você pode distorcer o princípio original a seu bel-prazer. Por isso, pode-se dizer que: Straight Edge = hardcore/punk livre de drogas. Algumas pessoas acreditam que sua conduta sexual tem algo ver com o Straight Edge (além de não usar drogas, você não pratica sexo "promíscuo", "irresponsável", ou "casual"), outras acham que sexo e sXe (abreviação de Straight Edge) não têm absolutamente nada que ver um com o outro. Há quem ache que hoje em dia, por definição, o Straight Edge tem que ser vegetariano, mas a existência de adeptos comedores de carne contesta isto.
Os motivos para adotar o Straight Edge variam conforme a pessoa. O motivo básico por trás da existência do sXe é o de desassociar o hardcore da auto-destruição, violência, danos à saúde ou quaisquer outros malefícios causados pelas drogas, e favorecer a possibilidade de que uma pessoa que prefere não se drogar possa ser "tão punk" quanto qualquer um. Assim como todos têm o direito de escolher se bebem, fumam ou injetam substâncias em seus próprios corpos, as pessoas que escolhem não fazê-lo não deixam de ser punks ou hardcore por isso. Enfim, o Straight Edge é baseado na idéia de que todos na comunidade punk/hardcore (e no mundo) devem ter a possibilidade de se sentirem à vontade, bebendo, fumando ou não. O Straight Edge contesta a idéia de que beber, fumar ou se drogar são por si só atitudes rebeldes. A mídia e a cultura jovem vêm há décadas propagando esta idéia, de modo que até mesmo o punk no começo (em grande parte) via o consumo de drogas como parte integrante de um estilo de vida alternativo. O Straight Edge não concorda com esta associação. Isso não significa que pessoas que usem drogas estejam "erradas" (cada um se diverte como quiser), significa apenas que ninguém é mais "rebelde" (e muito menos revolucionário) por ter o hábito de alterar suas consciências usando substâncias químicas. De qualquer maneira, a definição mais abrangente, precisa e não relativista do termo Straight Edge é: pessoa envolvida com hardcore/punk que escolhe viver sem álcool, drogas (legais e ilegais), cigarros e afins, e assume a denominação.

Como surgiu o Straight Edge? De onde vem o nome e o que ele significa?
O Straight Edge surgiu aproximadamente em 1980, entre a cena punk de Washington D.C., a capital dos EUA (dã...). Os membros de uma banda chamada Teen Idles, todos menores de idade, odiavam o fato de que, por causa do consumo de álcool, quem ainda não tinha 18 anos não podia frequentar a maioria dos shows punks da cidade. E o pior de tudo, eles nem mesmo queriam beber. Ao contrário da esmagadora maioria dos punks da época, os Teen Idles não achavam que a atitude niilista e auto-destrutiva associada ao consumo de álcool e drogas eram uma obrigação do movimento. Ao mesmo tempo em que as drogas e o álcool eram exaltados no punk da época, para os Teen Idles, seu (ab)uso só trazia coisas ruins ao movimento: menores de idade eram excluidos dos shows pois as casas vendiam álcool, bêbados sempre causavam brigas, membros talentosos e inteligentes de bandas morriam ou se tornavam zumbis apáticos de tanto se drogar, e por aí vai. Para eles, parte da atitude "faça você mesmo" do punk envolvia o indivíduo ter pleno controle de seu corpo, mente e atitudes, e para isso as drogas eram um obstáculo. Então, em torno da banda, toda uma turma de jovens punks foi se formando, e algo como um "mini-culto" foi surgindo.
Um belo dia, a banda estava fazendo o layout da capa de seu primeiro (e único) disco, o compacto "Minor Disturbance",, e o baterista Jeff Nelson pegou um esquadro (aquela régua em forma de triângulo) e, meio brincando, comparou a retitude e os ângulos retos do objeto com sua postura firme e "careta" de vida. Esquadro em inglês é "straight edge", e dessa maneira, Nelson apelidou a turma de punks "caretas" de "Straight Edge Punks". Pouco depois, no final de 1980, os Teen Idles acabaram, e dois membros , Jeff Nelson e Ian Mckaye formaram uma nova banda , que iria levar o Straight Edge um passo além. Ian Mckaye conta que queria chamar a nova banda de "Straight Edge", o que os outros membros vetaram. A banda então, se chamou Minor Threat . Após poucos meses, eles lançaram seu primeiro compacto (por sua própria gravadora, a Dischord) onde havia uma música chamada "Straight Edge",, cuja letra resumia o estilo de vida adotado pela banda:

STRAIGHT EDGE
Eu sou uma pessoa como você
Mas tenho coisas melhores para fazer
Do que ficar sentado e foder a minha cabeça
Andar com mortos vivos
Cafungar merda branca para dentro do nariz
Desmaiar nos shows
Nem mesmo penso em bolinhas
É algo de que eu simplesmente não preciso

Eu tenho o Straight Edge

Eu sou uma pessoa como você
Mas tenho coisas melhores para fazer
Do que ficar sentado e fumar maconha
Porque sei que posso lidar (com a vida)
Rio de pensar em tomar tranquilizantes
Rio de pensar em cheirar cola
Sempre estarei em contato
Nunca quero usar uma muleta

Como muitos de vocês devem estar cansados de saber (e muitos outros também não devem ter idéia...), este, e todos os outros discos do Minor Threat se tornaram clássicos do punk rock e ajudaram a definir o hardcore. Como a banda se tornou uma das mais populares do underground norte-americano, fazendo turnês e tendo seus discos distribuidos por todos os EUA, logo a idéia do Straight Edge se espalhou muito além dos limites de Washington D.C., e outras bandas e pessoas adotariam a postura, inicialmente nos EUA, e após alguns anos em países de todos os continentes.

O que significa o X?
O X, adotado como símbolo universal do Straight Edge, tem a seguinte origem: os Teen Idles, em 1980, fizeram uma viagem à Califórnia, onde tocaram dois shows (em Los Angeles e São Francisco) e ganharam no total, a fortuna de 45 dólares (hehehe, punk é isso aí). Em São Francisco, a casa onde eles tocaram, tinha a política de deixar menores de idade entrar desde que eles tivessem suas mãos marcadas por um X de pincel atômico. Desta forma, o barman saberia quem poderia e quem não poderia comprar bebidas alcoólicas. Os Teen Idles acharam a idéia engraçada (e útil, pois dessa forma todos poderiam ver o show) e levaram ela de volta a Washington. Lá, sugeriram aos donos de casas noturnas que fosse feito o mesmo, para que os menores pudessem entrar. Mas, como ironia, demonstrando que não só não podiam, como tampouco queriam beber, muita gente começou a fazer o X espontaneamente, e mesmo quem era maior de 18 continuou usando, tanto para expor sua postura, quanto para demonstrar solidariedade aos menores. Com o tempo, o X acabou por se tornar o símbolo do Straight Edge, indo parar em nomes e logotipos de bandas, camisetas, tatuagens, etc...
Todo Straight Edge usa X? Por quê usar o X?
Não, nem todo Straight Edge usa X. Muitos vêem o Straight Edge como uma postura estritamente pessoal, que não precisa ser divulgada aos outros. Outros gostam de expor seus pontos de vista. Assim como muitos anarquistas usam broches ou camisetas com o A, vegetarianos escrevem slogans na mochila e pessoas em geral usam camisetas de suas bandas, causas políticas ou campanhas ecológicas favoritas, Straight Edgers mais convictos usam X na mão, camisetas, tatuagens etc... O X na mão não é um símbolo de separação, da mesma forma que o A de anarquia ou a estrela vermelha não significam que seus portadores se considerem melhores, ou queiram distância de pessoas diferentes. É apenas uma forma de se expressar e tornar suas idéias visíveis.

O Straight Edge é um movimento?
Algumas pessoas podem achar que sim, mas eu pessoalmente não considero o Straight Edge um movimento. O Straight Edge é uma idéia, não um "movimento" organizado, com estatutos, leis, etc. Não existem "membros" do Straight Edge, existem adeptos desta idéia. Além disso, pessoas das mais diversas opiniões (fora o básico hc/punk sem drogas) e estilos de vida se denominam Straight Edge, pelos mais diversos motivos. Movimento significa um agrupamento de pessoas com uma causa comum, e o Straight Edge não possui um "objetivo", ou ao menos uma "causa" coletiva. É apenas uma idéia que pode ser útil e proveitosa para algumas pessoas. Talvez, difundir o Straight Edge seja para alguns o tal "objetivo" a ser alcançado. Mas a idéia primordial não era nada messiânico, que se propusesse a solucionar os problemas do mundo. Era apenas uma forma de enxergar o punk e a própria vida. Algo que começa e termina no indivíduo se sentindo melhor e cuidando de sua própria existência de uma maneira (para ele) mais proveitosa.
Por quê divulgar esta idéia se ela é individual? Porque é uma idéia que faz bem para muitas pessoas, e outros, conhecendo-a, podem se identificar e ter uma base de apoio. Se é bom para mim, pode ser bom para outras pessoas.
Se não fossem straight edgers mais antigos divulgando a idéia, eu (e todo mundo) provavelmente nunca teria tido contato com ela. E por mais que não seja uma idéia com o objetivo de salvar o mundo, é uma boa idéia (ao menos para algumas pessoas), e nada é mais natural do que expor seus pontos de vista. Muita gente, inclusive, concorda com as idéias básicas do Straight Edge e age de acordo, mas prefere não assumir a denominação, por não se sentir à vontade com o rótulo, ou não querer se associar com determinadas pessoas, etc...
Já que o motivo primordial por trás do Straight Edge é o indivíduo se sentir bem e agir de acordo com suas convicções pessoais a despeito das "regras sociais" (como os primeiros sXe fizeram, em relação à regra punk do uso de drogas), tornar o Straight Edge um outro conjunto de regras não faz sentido, e se a pessoa não se sente bem se dizendo sXe, o mais coerente é não assumir a denominação.

Qual é a relação do Straight Edge com o vegetarianismo?
Vegetarianismo = não comer carne de animais. Ao contrário do que se pensa, Straight Edge é uma coisa, e vegetarianismo é outra. A maioria dos Straight Edgers (no Brasil, quase todos) são vegetarianos, mas esta é apenas uma idéia adotada pelos Straight Edgers, não uma parte do Straight Edge em si. O vegetarianismo é uma idéia bastante discutida dentro do punk/hardcore, por diversas bandas, sXe ou não. Ian Mckaye, vocalista do Minor Threat, é vegetariano desde o início dos anos 80, mas nunca abordou isso em suas músicas, ainda que fale sobre o assunto em entrevistas. bandas punks/HC como Crass, Conflict, Antidote, MDC, Oi Polloi, Cro-Mags e muitas outras, já se manifestavam de alguma forma contra a matança de animais, antes da primeira banda sXe tocar no assunto. Portanto, é mais coerente falar do vegetarianismo como uma causa comum a todo o lado mais politizado, ou idealista do hardcore/punk, não apenas ao sXe.
Na segunda metade dos anos 80, a banda Youth Of Today (uma das mais importantes bandas sXe de todos os tempos), passou a difundir o vegetarianismo, em suas músicas, camisetas e entrevistas. Com eles, muitas outras bandas da época (Insted e Gorilla Biscuits por exemplo), aderiram e logo o vegetarianismo se tornou uma tendência dominante dentro do Straight Edge. Com o tempo, os direitos dos animais foram se tornando mais e mais importantes na cena sXe mundial, e foram surgindo bandas Straight Edge cujo propósito principal era difundir o vegetarianismo e o veganismo. É importante deixar claro que dentro da cena punk/hardcore/straightedge, o vegetarianismo sempre teve como motivo principal a ética. Apesar dos benefícios à saúde, o estilo de vida vegetariano sempre foi adotado e difundido em nome do bem estar dos animais, do meio ambiente e da economia. Apesar da enorme popularidade do vegetarianismo dentro do Straight Edge, a causa dos direitos dos animais é para qualquer pessoa, independente do gosto musical, idade, corte de cabelo, se bebe ou fuma, etc... O vegetarianismo é uma questão de consciência, não uma "obrigação" para quem quer ser sXe. Um adepto do Straight Edge não tem mais obrigação de ser vegetariano do que qualquer outra pessoa com algum conhecimento do assunto.

Esta é a letra da música "4 More Reasons", da banda Straight Edge belga Nations On Fire. É uma das melhores letras sobre o assunto e sintetiza bem a questão:

MAIS QUATRO RAZÕES (four more reasons - 1992)

Tenho pensado sobre o que nós dizíamos
Sobre a ignorância com a qual costumávamos pregar o vegetarianismo
Mas conforme os anos se passaram, sempre procurando mais respostas
Minha sede por conhecimento nunca secou
Analisando a indústria da carne
Como ela irá destruir nosso meio-ambiente em poucos anos
É a segunda maior ameaça à nossa terra
Logo após um desastre nuclear - isso ninguém nunca ouviu!

Quando a carne é vermelha - 4 mais razões para se preocupar
Descubra onde está o perigo

Razões políticas, econômicas, éticas e de saúde

(políticas) Explorando países do terceiro mundo pela nossa carne
O lobby da carne é poderoso para cacete!
E controla nossas mentes, controla nossas escolas
(Econômicas) Alimentamos nosso gado com a comida
que poderia alimentar populações inteiras
Estamos poluindo nosso mundo em nome dos lucros feitos por algumas poucas corporações
(Éticas) Nosso desrespeito pelos animais prova nosso desrespeito pelas pessoas:
especismo e sexismo são uma coisa só
(Saúde) E no fim estamos destruindo nossa própria saúde
Nosso corpo está fora de equilíbrio
Eu digo, dane-se sua riqueza!

Quando a carne é vermelha - 4 mais razões para se preocupar
Experimente toda a comida saudável que puder
Nós o fizemos e não nos arrependemos Não nos arrependemos!

Quando a carne é vermelha, é a morte de uma criatura inocente.

Leia a letra original em inglês

O que é Veganismo?
Veganismo é o nome dado à postura, adotada por muitos Straight Edgers (mas não apenas por eles), de não consumir produtos de origem animal, seja carne, couro, leite, ovos, gelatina. Os vegans acreditam que esta é a postura mais coerente para quem segue o vegetarianismo por motivos éticos, já que todos os alimentos e produtos de origem animal causam sofrimento aos bichos, danificam o meio-ambiente, e podem ser substituídos por alternativas vegetais ou sintéticas.

Por quê vegan? - Panfleto em português explicando o veganismo

Relatório da associação dietética norte-americana explicando por quê o vegetarianismo e o veganismo são dietas saudáveis. (em inglês)

Qual é a relação do Straight Edge com a política?

A relação entre o sXe e a política é basicamente a mesma que ocorre no resto do punk rock. Uma postura libertária e crítica ao status quo e aos valores da sociedade está quase sempre presente, e quando bandas ou pessoas assumem uma posição mais definida ou militante, é quase sempre nos quadros do socialismo ou anarquismo. O que acontece também é que a mentalidade de cada lugar se reflete no sXe, e isso diz respeito tanto aos costumes do país, quanto às tradições da cena punk local. Por exemplo, no Brasil, o cenário Straight Edge tem a tradição de ser mais politizado do que na maioria dos outros países, em especial os EUA. Isso talvez se dê pelo fato de que toda a cena punk no brasil sempre foi mais politizada que a dos EUA, além do fato de que por aqui as contradições sociais são mais evidentes.
É um erro afirmar que "todo straight edge é anarquista", ou "todo straight edge" é militante de esquerda ou qualquer coisa do tipo. Mas a afirmação de que "straight edge é fascista", é simplesmente absurda. Uma revista semanal, por exemplo, chamou os sXe de fascistas por causa de uma suposta ação direta (que nunca ocorreu) na qual pessoas teriam sido trancadas dentro de uma lanchonete... ridículo e mentiroso. Outra matéria, no site tanto-faz.com, faz a mesma acusação de fascismo, dessa vez porque "há diversos casos de Mc Donalds apedrejados". Qualquer avestruz de inteligência mediana percebe que trata-se de estupidez ou má intenção pura e simples. Como quando o presidente Fernando Henrique Cardoso acusa o MST de fascismo· Enfim, o termo se transformou numa palavra usada por qualquer um, contra qualquer um, sem o menor rigor ou cuidado. Sem falar que se fascismo é apedrejar corporações multinacionais que exploram o ser humano, destróem a natureza e movem processos milionários contra ativistas que ousam expor seus crimes, bem, eu sou mico de circo. Parece óbvio, mas as pessoas continuam escrevendo essas coisas.
O fato é que, salvo raríssimas excessões (sempre altamente boicotadas e odiadas), quase sempre que bandas ou zines Straight Edge falam sobre política, esta se encontra em algum lugar da extrema esquerda.
Algumas bandas Straight Edge altamente politizadas no passado foram a holandesa Lärm (primeira banda sXe da Europa e primeira banda sXe comunista do mundo, formada em 82 e junta até 87) e as bandas decorrentes de sua formação, como Profound, Manliftingbanner e Seein Red. Por influência desta"mini-cena" holandesa, o chamado "Red Edge" (apelido do "sXe comunista") foi muito popular na Europa no início dos anos 90, com outras bandas como Feeding the Fire (Holanda), Spawn (Alemanha), Timebomb (Itália) e Manifesto (Espanha) aderindo, e diversos zines falando sobre o assunto. Na mesma época, a banda belga Nations On Fire também dava o que falar com suas excelentes letras de cunho anarquista altamente politizadas e bem escritas. Mesmo entre as bandas Norte-Americanas dos anos 80, em especial o Youth of Today, havia sempre uma ou outra mensagem política, nem que fosse simplesmente anti-fascista.
O Youth of Today, apesar de ser difamado como uma "banda superficial", que só falava sobre Straight Edge e amizade, foi de fato uma banda que abordou muitos temas políticos/sociais, de maneira relativamente aprofundada (em comparação com o hardcore americano da época), influenciando muita gente. O LP "We're Not In This Alone", de 88, por exemplo, aborda o anti-fascismo, em "Prejudice", o anti-nacionalismo em "Live Free", o vegetarianismo (qua na época ainda não era tão popular), em "No More" e diversos outros temas importantes.
Posteriormente, no início dos anos 90, apareceram nos EUA e Canadá, uma série de outras bandas ligadas ao sXe extremamente politizadas, tais como os canadenses do Chokehold (sempre críticos, nem que arrumassem brigas com a ala mais "complacente" do hardcore), e as bandas ligadas à gravadora californiana Ebullition (em especial o Downcast).
Ultimamente, com o hardcore/punk em alta na mídia, discos vendendo como água, internet e uma série de outros fatores, nota-se uma despolitização, apatia e um desinteresse consumista em boa parte do cenário punk (no sentido amplo da palavra) mundial. Esta apatia e esse consumismo acaba se refletindo também na cena Straight Edge, e cabe a cada um de nós reverter essa situação e fazer do punk uma força efetiva de mudança social, independente do que você bebe ou deixa de beber.

Como o Straight Edge vê a religião? Que história é essa de Hare Krsna/Krsna-Core?
Ao contrário do que muita gente acredita, a grande maioria dos Straight Edgers é ateísta ou agnóstica e não aprova a associação da religião com o hardcore. No entanto, há algumas pessoas que associam a postura sXe com suas crenças espirituais, especialmente no caso da religião Hare Krsna (seita induísta popularizada no ocidente a partir dos anos 60).
Mas como foi que isso aconteceu? Bem, tudo começou com membros de algumas bandas hardcore de Nova York do início dos anos 80 como Antidote e Cause For Alarm, que eram ligados ao "movimento hare krsna", e tentavam associa-lo ao punk, por verem pontos em comum como o vegetarianismo e o "anti-materialismo".
Dessa mesma turma veio uma banda chamada Cro-Mags, cujo vocalista John "Bloodclot" Joseph era devoto de Krsna e expunha alguns pontos de vista espirituais nas letras da banda. Os Cro-Mags se tornaram uma das bandas hardcore mais populares de todos os tempos, e talvez por isso, o hare krsna tenha se tornado algo relativamente familiar na cena de Nova York. De qualquer maneira, em algum momento do final dos anos 80 (87 ou 88, se não me engano), o famigerado vocalista do Youth Of Today, Ray Cappo, começou a se envolver com essa religião. Diz a lenda que ele, já vegetariano, começou a frequentar o templo por causa da comida grátis e acabou gostando daquilo tudo. Para desespero de seus colegas de banda, Ray se tornou um devoto em tempo integral.
Consta que o guitarrista John Porcell e o baixista Walter Schreifells tentaram contratar um "desprogramador" (profissional especialista em tirar pessoas de seitas, comumente contratados por pais de hare krsnas e tipos afins) para "salvar" Ray de uma suposta lavagem cerebral. O fato é que não deu certo e após algum tempo Porcell também virou Hare Krsna. Devido ao envolvimento total de Ray com os Krsnas, o Youth Of Today acabou, e Ray quis montar um projeto chamado Shelter, para divulgar a espiritualidade através do hardcore. E foi assim que começou esse negócio de Krsna Core.
Com o tempo, Porcell entrou no Shelter, e a banda se tornou muito popular, influenciando muita gente a entrar no hare krsna e novas bandas aderiram à causa . De fato, o Krsna Core foi bastante popular no início dos anos 90, mas assim que a moda passou, a coisa toda sumiu, e hoje em dia é muito raro encontrar Straight Edgers devotos. E interessante lembrar também, que na mesma proporção em que foi popular, o Krsna Core também foi contestado e reprovado. Muita gente fazia panfletos e artigos criticando o envolvimento da religião no hardcore e as posturas sexistas da doutrina hare krsna (segundo a qual a mulher deve servir ao homem e o homem a deus), totalmente incompatíveis com as posturas historicamente associadas ao punk.
Hoje em dia pode-se dizer que a religião organizada no Straight Edge está praticamente erradicada, sendo muito mais comum encontrar A de anarquia, estrelas vermelhas ou símbolos satânicos num show de hardcore do que desenhos ou slogans krsnas.

O que é Hardline?
O Hardline talvez seja a coisa que mais "queimou o filme" do Straight Edge até hoje. As pessoas costumam pensar que hardline é apenas um "sXe malvadão e intolerante", mas isso não é verdade, pois como veremos adiante, hardline é uma coisa e straight edge é outra.
Hardline é o nome de um movimento surgido no final dos anos 80, e popularizado dentro da cena Straight Edge, mas que não se enxerga como parte dela. Tudo começou com a banda Vegan Reich, inicialmente um grupo anarco-punk vegetariano, cujo vocalista Sean, um dia sentiu a necessidade de elaborar uma nova doutrina que englobasse aspectos políticos e espirituais além da liberação animal, para a partir daí estabelecer uma nova sociedade no planeta terra. Sean então escreveu um zine chamado "Vanguard" e fundou o movimento através das seguintes palavras: "chegou a hora de um movimento e de uma ideologia fortes o bastante para batalhar contra as forças do mal que estão destruindo a terra e a vida que há sobre ela".
O hardline enxerga que todos os problemas do mundo moderno são decorrentes de "transgressões do homem contra as leis da natureza", e quer fazer uma revolução para fundar uma nova sociedade onde as tais "leis da natureza" sejam respeitadas. Um membro do hardline deve ser livre de drogas, vegan, não praticar sexo que não seja para reprodução (ou seja, homossexualismo nem pensar), comer apenas alimentos integrais, praticar exercícios físicos, ser contra o aborto em qualquer caso (segundo eles o feto é uma "vida inocente"). Um hardliner também cultiva a espiritualidade, acredita em algum tipo de deus (que personifica a tal "ordem natural"), e acha que seus pontos de vista devem ser colocados em prática a qualquer custo. Segundo eles, o mundo deverá passar por uma "ditadura vegan", que irá educar ou eliminar todos os "transgressores", e assim recuperar a ordem natural do planeta.
Eu não preciso nem dizer que praticamente todo mundo que não é adepto dessa doutrina (ou seja, quase todo mundo mesmo, pois o hardline, mesmo em seu auge, nunca conseguiu ter muito mais do que uns 100 adeptos pelo mundo ao mesmo tempo - já que muita gente entrava e saía) a considera uma maluquice sem igual, homofóbica (afinal, homossexuais não podem se reproduzir entre si, sendo para o hardline, pessoas "anti-naturais"), anti-mulher (por serem contra o aborto em qualquer caso), autoritária (querem forçar visões religiosas e preconceituosas através de uma "ditadura)· enfim, o hardline sempre foi totalmente execrado por praticamente todos os segmentos da cena Straight Edge.
Pelo que eu ouvi falar, foi oficialmente encerrado há alguns anos, pois houve uma divisão entre os militantes. Alguns (como Sean, do Vegan Reich, o criador do movimento) aderiram ao Islamismo, enquanto outros ex-membros seguiram caminhos diversos.
O fato é que o hardline sempre foi muito maior em rodas de conversa do que na vida real. Até hoje há quem veja o hardline como um grande perigo para o hardcore, mas em primeiro lugar o movimento acabou, e em segundo lugar, o fato é que o número de adeptos sempre foi tão reduzido que por mais perigosa e que a ideologia deles pudesse ser, na prática eles nunca foram muito mais do que uma anedota para a cena sXe.

O hardline faz parte do Straight Edge?
Não. Nem eles querem ser parte do sXe, e nem a cena sXe quer ter nada a ver com eles (como está historicamente comprovado pelo mundo afora). Segundo um militante hardline norte-americano que eu mesmo entrevistei em 1996 "O hardline não é de maneira nenhuma ligado ao sXe, exceto pelo fato de ser um movimento livre de drogas". A maioria dos hardliners saiu de fato da cena sXe, mas o hardline em si é uma OUTRA coisa.

Quais são algumas das bandas sXe mais representativas?
(ou, que mp3 eu devo procurar?)

11/4 Fase (1979-84):
Teen Idles (ler mais acima) - banda sxe embrionária. 1979-80
Minor Threat (ler mais acima) - banda que cunhou o termo e popularizou a idéia. 1980-83
Government Issue - Banda extremamente irônica e original de Washington, no começo era um hardcore/punk furioso, e depois virou um rock com influências punks bem bacaninha tb. 1981-1990 (eu acho)
The Faith - Também da mesma patota de washington das bandas acima.
SSD- Primeira banda de hardcore de Boston, primeira banda sxe fora de Washington e primeira banda "sXe militante". 1981-85
DYS- "A outra" banda de Boston. Junto com o SSD lançou as bases para o que viria dois ou três anos depois no sXe. O vocal Dave Smalley passou pelo Dag Nasty e agora vem ao brasil todo ano com o Down By Law. 1982-84

7 Seconds- Mesmo nunca tendo se assumido como "banda sXe", o 7 Seconds (de Reno, Nevada) foi uma dos grupos mais influentes, tanto na música como nas letras, pioneiras na abordagem positiva, anti-drogas, anti-violência e anti-machismo. 1980-até hoje.

21/4 Fase (1985-90):
Youth Of Today - por volta de 1984, todas as bandas sXe da primeira geração tinham ou virado metal, ou virado rock e mesmo as bandas de hardcore puro estavam ficando rara, todas acabando ou aprendendo a tocar e deixando o cabelo crescer. Mas, revoltados com essa situação, Ray Cappo e John Porcell formaram o Youth Of Today em Connecticut, no começo de 85 para trazer de volta o hardcore nos moldes de Boston e Washington e levar o sXe um passo adiante em termos de idéias, acrescentando à receita coisas como política e vegetarianismo. Geraram toda uma subcultura de imitadores e influenciados e o sXe nunca mais foi o mesmo. 1985-90
Dag Nasty -Não é bem uma banda da segunda fase... seria mais uma banda da primeira fase que chegou atrasada. Com Brian Baker (ex-Minor Threat) e Dave Smalley (ex-DYS), eram no início uma banda sXe, cuja música melódica e altamente original, influenciou muita gente. Uma das melhores e mais autênticas bandas de hardcore de todos os tempos (pelo menos os 2 primeiros discos). 1985-89 (voltaram e lançaram um disco em 92)
Uniform Choice- Enquanto o Youth Of Today reacendia a chama do hardcore positivo na costa leste, em Los Angeles havia o Uniform Choice. Altamente influenciados pelo Minor Threat, são os pais do straightedge californiano e seu LP "Screaming For Change" é um clássico, muito imitado, jamais superado.
Slapshot - Veteranos de Boston, resolveram resistir à contaminação metálica e fazer em 85uma banda sXe nos moldes antigos da cidade. Musicalmente muito influenciados pelo Oi!/punk rock britânico, eram bem diferentes das demais bandas sXe da época. Tinham uma briga famosa com a turma do Youth Of Today. Letras muito polêmicas, tirando barato e metendo o pau em todo mundo. Primeira banda sXe "malvadona". 1985-até hoje.
Straight Ahead - Primeira banda realmente sXe de Nova York. Apesar de serem meio esquecidos hoje em dia (talvez por nunca terem tido material relançado oficialmente), não devem nada a nenhuma outra banda desta discografia. Mais rápidos e agressivos do que qualquer outra banda sXe dos anos 80 (com excessão dos holandeses do Lärm), seus discos e shows eram um verdadeiro chute no estômago. Seus membros depois tocaram em bandas grandes como Youth Of Today, Sick Of It All, Agnostic Front, Helmet e Biohazard. 1985-87.
Bold - Primeira cria direta do Youth Of Today (literalmente, eram uns molequinhos que andavam com os caras do YOT). Começaram com o nome de Crippled Youth em 1985, quando os membros tinham cerca de 12 anos de idade. ícones e maiores representantes da estética "Youth Crew" (nome usado para descrever a segunda geração do sXe), com seus moletons de capuz, X na mão, cabeças raspadas, pulos e aquela coisa toda. 1985-90.
Gorilla Biscuits - Outra banda clássica de Nova York, de sonoridade mais melódica e variada que seus colegas do Bold e do Youth Of Today. O único LP, Start Today, de 89 é considerado por muita gente como o melhor disco de hardcore de todos os tempos. 1986-91.
Crucial Youth - Banda sXe paródia criada com o único intuito de tirar barato da cara da cena sXe da época. Músicas contra falar palavrão e a favor de escovar os dentes. Simplesmente genial. Hoje bandas sXe "zoeiras" são lugar comum, mas eles foram os primeiros. 1987-91.

Judge - em breve
No For An Answer - em breve
Chain Of Strength - em breve
Inside Out - em breve