segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Anarcopunk

Anarcopunk é uma facção do movimento punk que consiste de bandas, grupos e indivíduos que promovem políticas anarquistas.

Apesar de nem todos os punks apoiarem o anarquismo, a ideologia tem um papel importante na cultura punk, e o punk teve uma influência significativa no anarquismo contemporário. O termo "anarcopunk" é algumas vezes aplicado exclusivamente a bandas que fizeram parte do movimento anarcopunk original no Reino Unido na década de 1970 e 1980, como Crass, Conflict, Flux of Pink Indians, Subhumans, Poison Girls e Oi Polloi. Alguns utilizam o termo mais amplamente para se referir a qualquer música punk com conteúdo anarquista em sua letra. Essa definição mais ampla inclui bandas crustcore e bandas d-beat como Discharge, e podem incluir bandas de punk hardcore dos Estados Unidos, como MDC, artistas de folk punk como This Bike Is a Pipe Bomb ou artistas em outros subgêneros.

Um crescimento no interesse popular ao anarquismo ocorreu durante os anos 1970 no Reino Unido após o nascimento do punk rock, em particular os gráficos influenciados pelo situacionismo do artista Jamie Reid, que desenhava para os Sex Pistols e o primeiro single da banda, "Anarchy in the UK". No entanto, enquanto que a cena punk inicial adotava imagens anarquistas principalmente por seu valor de choque, a banda Crass pode ter sido a primeira banda punk a expor idéias anarquistas e pacifistas sérias. O conceito do anarcopunk foi pego por bandas como Flux of Pink Indians e Conflict. O cofundador do Crass, Penny Rimbaud, disse que sente que os anarcopunks eram representantes do punk verdadeiro, enquanto que bandas como os Sex Pistols, The Clash e The Damned eram nada mais do que "fantoches da indústria musical".

Enquanto passavam os anos 1980, dois novos subgêneros da música punk evoluíram do anarcopunk: crustcore e d-beat. O crustcore, e seus pioneiros foram as bandas Antisect, Sacrilege e Amebix. O d-beat eram uma forma de música punk mais bruta e rápida, e foi criada por bandas como Discharge e The Varukers. Um pouco depois, na mesma década, o grindcore desenvolveu-se do anarcopunk. Parecido com o crustpunk, porém ainda mais extremo musicalmente (utilizava blast beats e vocais incompreensíveis), seus pioneiros foram Napalm Death e Extreme Noise Terror. Paralelamente ao desenvolvimento desses subgêneros, muitas bandas da cena punk hardcore dos Estados Unidos estavam adotando ideologia anarcopunk, incluindo MDC e Reagan Youth.

[editar] Desenvolvimentos posteriores

O anarcopunk dos anos 2000 é mais diverso musicalmente do que nos anos 1970 e 1980. Além dos subgêneros previamente estabelecidos, o anarcopunk agora também abrange artistas de punk blues como Darren Deicide, artistas pop punk como Girlband e Propagandhi, artistas new wave como Honey Bane e bandas folk punk como The Weakerthans e Against Me!. Algumas bandas anarcopunk também incorporam o indie rock ou indie pop, como Nation of Ulysses (que mais tarde tornou-se uma banda emo). Mais recentemente, bandas como Axiom, Destroy e Disrupt fundiram o som grindcore com o crustcore.

O digital hardcore também toma uma posição anarquista freqüentemente em suas letras, como exemplificado pelos pioneiros do gênero, o Atari Teenage Riot. O digital hardcore mistura vocais punk (e algumas vezes, rap) com elementos de muitos gêneros diferentes, principalmente hardcore techno, thrash metal, noisecore e fundos musicais distorcidos.

O Chumbawamba incorporou elementos do pop, dance e world music e teve canções bem sucedidas nos anos 1990. Apesar do precedente ter sido o Rudimentary Peni, que mais tarde tornou-se uma banda death rock.

O anarcopunk se parece muito com o anarquismo sem adjetivos, no sentido de envolver a cooperação de várias formas diferentes de anarquismo. Alguns anarcopunks são anarco-feministas (como Polemic Attack), enquanto outros eram anarco-sindicalistas (Exit-Stance). O The Psalters, por exemplo, é uma banda anarcopunk afiliada ao anarquismo cristão.

A anarquia pós-esquerdista é comum no anarcopunk moderno. CrimethInc., um dos maiores proponentes do pós-esquerdismo, possui fortes ligações com o movimento. A Class War é uma federação pós-esquedista britânica que também é muito ligada ao anarcopunk, e apoiada por bandas como Conflict. Muitos anarcopunks apóiam questões como direitos dos animais, igualdade racial, feminismo, ecologismo, anti-heterossexismo, autonomia trabalhista, movimento pacifista e o movimento antiglobalização. O pacifismo não é apoiado por todos anarcopunks.

Os punks, de modo geral, aproximam-se do anarquismo devido ao seu modo de ser, de negar e combater o autoritarismo, as fronteiras e os preconceitos impostos, porém, os anarcopunks assumem a política anarquista e seus modos de ação e organização, assim como seus princípios. Seus mais fortes modos de expressão cultural são a música, ou anti-música, a poesia e o visual "pesado" e agressivo, que procura refletir "todo o peso e imundície da sociedade em que vivemos".

[editar] A ética punk do "faça você mesmo"

Muitas bandas anarcopunk enfatizam uma ética "faça você mesmo" (do it yourself ou DIY em inglês). Um slogan popular do movimento é "DIY not EMI", que em inglês representa uma rejeição a uma grande gravadora (a EMI, no caso). Muitas bandas anarcopunk eram divulgadas na série de LPs Bullshit Detector, lançada pela Crass Records e Resistence Productions entre 1980 e 1994.

Alguns artistas anarcopunk faziam parte da cultura do cassete. Desta maneira, a rota tradicional gravação-distribuição era ignorada, já que as gravações eram feitas para quem enviasse uma fita em branco e um envelope endereçado a si mesmo. O movimento anarcopunk tinha sua própria rede de fanzines punk que disseminavam notícias, idéias e arte da cena. Todas essas fanzines eram DIY, produzindo, no máximo, centenas de unidades, apesar de haver exceções como a Toxic Grafity (sic). As zines eram impressas em fotocopiadoras ou máquinas duplicadoras, e distribuidas à mão em shows punk e por correio.

Os anarcopunks acreditam universalmente na ação direta, apesar da maneira com que isso se manifesta varia muito. Mesmo com suas diferentes abordagens, geralmente há cooperação dentro do movimento.

Muitos anarcopunks são pacifistas (como Crass e Discharge) e acreditam na utilização de meios não-violentos para alcançar seus objetivos, que incluem protesto pacífico, recusa a trabalhar, sabotagem econômica, ocupação, revirar lixo, pichação, realizar boicotes, desobediência civil, "hacktivismo" e alterar material publicitário contra o anunciante. Outros anarcopunks acreditam que a violência é um modo aceitável de alcançar a mudança social (como Conflict e D.O.A.). Isso se manifesta por tumultos, vandalismo, corte de fios, assaltos, participação em atividades "estilo Frente pela Liberação dos Animais", e, em casos extremos, usar bombas.

Alguns anarcopunks, principalmente na América do Norte, buscaram utilizar o processo democrático para trazer suas regiões mais próximas à anarquia, apesar de nenhum ter concorrido como membro de um partido anarquista. Entre os que tentaram, estão o líder dos Dead Kennedys, Jello Biafra, para prefeito de São Francisco, o cantor do T.S.O.L., Jack Grisham, a governador da Califórnia e o cantor principal do D.O.A., Joey Shithead. Alguns desses, como Biafra, acreditam que a mudança social maior é necessária antes de os humanos estarem prontos para a anarquia.

Política de identificação

O anarcopunk foi destacado como um dos fenônemos sociais que levou o anarquismo na direção da política de identidade. Alguns alegam que o visual tornou-se um ingrediente essencial do movimento, algumas vezes obscurecendo outros fatores, apesar de outros alegarem que os artistas que se alinharam com o anarcopunk envolveram-se em diversas abordagens no formato e na ideologia, exemplificado pela variedade de bandas do movimento. Do mesmo modo, freqüentemente é dito que o visual era simplesmente uma representação da ética associada ao anarquismo (crença anti-corporação e DIY).


O movimento anarcopunk propõe um movimento punk mais consciente, atacando as estruturas sociais de diversas formas, além de musicalmente, através de zines, jornais, ongs, coletivos, e outras maneiras buscando uma sociedade mais fraterna e igualitária.

Nos anos 70 muito se usou a palavra anarquia sem saber o seu significado, mas os anarcopunks foram buscar o verdadeiro sentido da palavra , usada antes de uma forma adulterada pelos meios de comunicação burgueses, que a apresentavam no sentido de caos, mas que agora os anarcopunks traziam a sua verdadeira tradução como esperança de uma vida melhor, mais bela e profunda, mostrando que o caos se encontra nos sistemas autoritários como no fascismo, comunismo e capitalismo.

Uma das bandas mais representativas do movimento anarcopunk foi o CRASS, banda inglesa que aderiu completamente ao lema "faça você mesmo". O CRASS iniciou em 77, pelo descontentamento dos rumos que o punk estava tomando. A banda defendia a liberação animal, sendo os integrantes vegans, defendendo os animais muito antes do primeiro sxe falar sobre isso, pois nos anos 70 eles já haviam defendido esses ideais quando viviam em um sítio. Neste sítio ninguém era dono de nada a não ser de suas próprias roupas. Atacavam as estruturas da sociedade inglesa como a família, igreja, governo, militarismo, escandalizando a imprensa e a sociedade.

Foram proibidos nas rádios, então organizaram um recital em um teatro abandonado, onde depois de fracassarem as primeiras tentativas de ocupação, ocuparam e foram expulsos pela polícia. Ocuparam então um clube privado, depois que mais de 400 pessoas se juntaram e a polícia não pode conter.

Cobriram as paredes de frases pacifistas e anarkistas. No local tocaram mais de 12 bandas onde ninguém vigiava o que o outro fazia, cada um se preocupava consigo mesmo.

Para evitar boicotes da mídia o CRASS criou a própria gravadora, CRASS RECORDS, apoiando outros grupos. Vendiam seus discos pela metade do preço. Também publicaram um livro dizendo: "nós tentamos firmar nossa liberdade com humor e encontramos violência e ódio. Tentamos firmar nossa liberdade e nos demos conta que o Estado e os que trabalham nele e os que vivem abaixo de sua autoridade são inimigos de nossa liberdade e entendemos que havia que encontrar outros meios que não foram palavras!".

O CRASS se separou em 85, pois não podiam tocar em nenhum lugar que não fosse Londres pois teriam que aumentar o valor dos shows para pagar os custos ou fazer transações que não queriam, fechando assim o espaço. Mas fizeram muitas coisas, fizeram com que A GENTE SE LEVANTASSE POR TODO. Foi a primeira banda a defender os animais; ativistas reais, sua casa estava permanentemente vigiada..

Algumas pessoas insistem na crítica fácil de que o punk acabou, mas não é o que vemos pelas ruas das grandes cidades. O movimento continua vivo, trazendo a esperança na rebeldia, incentivando as pessoas que estão descontentes a serem donos de sua própria vida e mente, mostrando que elas são capazes de agir contra aquilo que às atormenta. Os motivos da contestação da sociedade atual são diversos, desde as agressões à natureza ao desenvolvimento de ogivas nucleares. O capitalismo, machismo, alienação, a igreja, o estado, a estereotipização são assuntos abordados pelos anarcopunks, combatendo a opressão no seu dia-a-dia. O punk através de seu estilo de vida mostra a falsa ordem do sistema capitalista podre.

Se você acha que punk é apenas visual, você não é punk, mas sim um palhaço!


O anarcopunk portanto não é fase adolescente, ganguismo, nem delinqüência juvenil, mas sim ideal.

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