DZK
Foi uma grande experiência, entrevistar o DZK, banda punk que já toca a mais de 20 anos. Fizemos a entrevista com Macarrão, Barata e Flecha. Um exemplo de amor ao movimento punk.
Por: Nelson Jr. e Geise Paula
Vocês estão envolvidos com movimento punk desde o início. Comentem um pouco da historia do DZK junto ao movimento punk.
Macarrão - Revolução, revolução, revolução sempre. Estamos preparando o caminho pra quem esta vindo aí, pra quem vai pintar, pra quem vai rolar. Para os filhos dos meus filhos, para nova geração. Se eu estou nessa historia desde hoje alguém fez por merecer, então eu vou dar continuidade nessa historia, para próxima geração seguir o mesmo caminho. É a revolução, cara, eu prego uma luta de igualdade.
Barata - A banda tem praticamente vinte anos. A gente tem se dedicando totalmente ao movimento. Nós influenciamos muita gente e ainda somos as mesmas pessoas, nunca mudamos nossa postura punk. Isso vem de pai para filho, meu filho tem quatorze anos e já esta seguindo o mesmo caminho, eu não impus isso pra ele, através de mim ele enxergou que tem que dar continuidade. A gente vem pregando isso junto ao movimento punk sempre.
Teve muitas bandas que param, muitas retornaram agora e o DZK sempre continuou, nunca paramos de tocar e protestar, o pessoal admira muito isso. Nós vimos várias coisas acontecerem, pessoas que se diziam punk e amanhã já não eram mais e de repente você olha e diz "puxa, eu tô aqui porque eu acredito, por que esta no sangue", isso que é legal.
O que é importante para uma banda se manter tocando por tanto tempo?
Flexa - É gostar do que faz, é acreditar no que você esta fazendo. E fora a questão política da coisa, a questão de saber que não suportaria viver sem.
O que vocês acham sobre os seguintes temas:
-Movimento punk
Barata - Só encontrei a verdade.
Flexa - Resistência
-Radicalismo que há dentro do movimento punk
Flexa - Infelizmente o ser humano é uma peça difícil de ter um alto grau de qualidade, então os defeitos sempre sobram, em qualquer movimento em qualquer lugar.
Barata - Só os verdadeiros sobreviveram.
-Cena punk atual
Barata - Esta bem diversificada, em relação ao movimento. Hoje tem muita gente nova entrando e conhecendo. Agora vamos ver quem vai conseguir sobreviver no meio disso tudo, só os verdadeiros iram sobreviver no meio disso tudo.
Flexa- Diferente de como começou. Mais politizada, mas também mais negativa em alguns pontos devido a comercialização da coisa.
Vocês preferem tocar em grandes festivais ou em pequenos bares.
Barata - A nossa cara é um palco pequeno com pouca luz, mais ou menos tipo aqui (Rock bar), de preferência tocar no chão.
Flexa - Pequenos bares com certeza.Nos grandes festivais a gente só vai pra não falar que não foi e porque é legal você ver duas mil pessoas lá embaixo agitando. Mas pequenos bares com cem pessoas é muito melhor.
Sei que vocês tem outras profissões, além de tocar, quais são?
Barata - Funileiro
Flexa - Trabalho numa área administrativa de empresa. O Macarrão estampa camisetas e vive das vendas e o Charuto é metalúrgico.
Vocês saberiam dizer o que seria da vida de vocês se não estivessem tocando no DZK ou envolvidos no movimento punk?
Flexa - Eu com certeza estaria tocando em outra banda. E se não estivesse envolvido com movimento punk, eu continuaria sendo um rebelde de outra forma, porque eu particularmente passei a ser crítico ao modo com que via o mundo que recebi desde que eu nasci, antes de saber que o punk existia.
Barata - Como o Flexa falou, antes de estar no movimento punk, não sabíamos o que era isso, nós ficamos sabendo que era um punk já sendo, sempre fomos um rebelde desde a infância.
O que levou vocês ao punk?
Flexa - É um processo natural, eu falando de mim, desde garoto, com onze anos eu já desandei, já fui para um lado mais anti-social. E rock, eu nasci pra curtir rock, o punk veio por conseqüência, na hora que eu vi, já senti a simpatia, com o tempo fui absorvendo e entrando, é uma coisa natural mesmo, não surgiu eu aderi, foi indo. Os anos foram vindo eu fui gostando e fui me interessando
Barata - Eu praticamente cresci vendo injustiças, muita violência e isso me fez enxergar as verdades e também fez co que eu conseguisse ficar até hoje. Nada mudar de quando eu era criança até hoje, a violência continua. E a única válvula de escape que consegui encontrar foi o punk, que é forma de protestar, uma forma de vida que escolhi para mim e com certeza morrerei com ela.
Macarrão - Acreditar que um dia eu sou capaz, que eu acredito numa coisa que é suficientemente pra me suprir energicamente enquanto eu viver.
Vocês sentem alguma diferença ou falta de alguma coisa de quando começaram?
Barata - Desde quando eu comecei com a banda, a cada dia eu tenho uma evolução dentro de mim, procurando mudar cada dia a minha forma de ser, de raciocínio, musicalmente e eu acredito que eu tenha crescido e tenho muito mais a crescer ainda . Então cada dia é uma coisa nova e eu não sinto falta de nada.
Macarrão - Nenhuma, continua a mesma coisa, só que a banda esta crescendo, esta envelhecendo e as coisas são da mesma forma de como se fossem a milhões de anos atrás e a trajetória continua a mesma, Não mudou nada. Eu estou fazendo a minha parte, a minha linha de raciocínio continua a mesma e eu só quero preparar terreno.
Flexa - A diferença é a emoção, quando você é mais jovem, você é mais emotivo e acredita mais no que esta fazendo. E quando os anos vão passando você vai ficando mais maduro e mais sóbrio, então você tem que lutar para não esquecer o que você esta fazendo. Quando eu comecei a tocar guitarra, eu tocava com uma corda, isso em 85, 86, e hoje eu conheço meu instrumento muito mais do que antes. Mas a glória de antes era muito maior do que a de hoje. E falta..., eu sinto falta de todas as pessoas que tiveram o mesmo início da minha época e que não continuam e a gente não vê mais. Ao longo dos anos a gente vê pessoas vindo e indo, nunca são as mesmas caras, isso chega a ser até legal, mas ao mesmo tempo você sente falta de ver amigos que você gostava muito e que não se sabe se morreu, se casou ou se mudou.
Quais são as bandas da atualidade que vocês consideram?
Barata - Instinto, Krânio, são bandas que a gente gosta, são várias bandas, Subviventes, Auto gestão, 88não, Menstruação Anárquica, a gente não discrimina nenhuma banda, gostamos de todas bandas.
Macarrão - Bandas que têm uma linha de raciocínio totalmente revolucionária, que pregam uma coisa temática no fundo do seu grau espiritual.
Flexa - Nacional eu gosto de várias, eu curto muito todo show que vou é de ver essas bandas que eu nunca vi, que nem as bandas de hoje aqui, eu gosto de ir lá e observar e ver o trabalho de algumas bandas. Ontem mesmo em Indaiatuba, teve uma banda que me chamou muito a atenção só que eu não vou lembrar o nome. Bandas conhecidas eu gosto muito do Subviventes que é a banda de Sto. André, perto de casa, eu gosto do Cólera, embora as pessoas façam certos comentários e outras mais.
O que vocês acham de espaças como esse, zine impresso e on line e deixe suas mensagem pra galera que estará lendo a entrevista....
Barata - O zine praticamente sempre foi a melhor arma do punk, acho que isso deve continuar, a melhor informação que tem ainda é um zine. A minha mensagem é "muito punk rock!"
Macarrão - O zine pra mim é muito foda, é um meio de comunicação muito válida, porque é um acessório a mais do punk, além da banda, de fazer as passeatas, etc. Essa arma não pode morrer. O que eu quero falar para finalizar: "Meu filho Carnegão, eu te amo, cresça cara!"
Barata - Uma coisa que eu sinto falta que existia antigamente e hoje não vê mais é o encontro de fanzines, onde tinha uma troca de cultura.
O que vocês acham de zine on line?E deixe suas mensagens e considerações finais.
Barata - É uma coisa mais atualizada hoje, isso é legal. Talvez por isso que não exista mais esse encontro de fanzineiros, que rolava quando as pessoas de fanzines de todos os lugares se encontravam e rolavam shows, era uma troca de cultura.
Flexa- Acho que o zine, o punk copiou isso de antigos movimentos de proletários, isso existe a muito tempo. Historicamente falando, a gente sabe que desde de quando o homem teve o poder da comunicação da imprensa escrita, ele conseguiu unir vários pensamentos, várias formas de organizar grupos contrários a determinados sistemas que o mundo empregava para humanidade. O zine nada mais, nada menos é uma expansão disso, que continua apesar de estarmos na época da informática é uma coisa super válida porque muita gente não tem esse acesso e que deveriam se aprimorar mais, deveriam ser mais organizados inclusive e mais preparados , até mesmo intelectualmente, digamos assim, para que abranja mais e realmente movimente a mente das pessoas. Minha única mensagem para todo mundo é a que eu prego no meu dia a dia, é : "sejam inteligentes".
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